Pandemia faz aumentar custo de vida em Lisboa

Cidade subiu seis posições no ranking da The Economist e é agora a 80.ª cidade mais cara a nível mundial.

Lisboa aproximou em 3% o nível de custo de vida de Nova Iorque, que surge como referência do estudo, embora já nem seja a cidade com o custo de vida mais elevado. Os dados são de um estudo da The Economist, Worldwide Cost of Living - How Is Covid-19 affecting the prices of consumer goods?, e mostram que a pandemia da covid-19 agravou o custo de vida em Lisboa. A cidade ocupa agora o 80.º lugar, subindo seis posições.

O relatório da The Economist analisou neste ano os preços de 138 bens e serviços em 133 grandes cidades até ao mês de setembro de 2020, identificando um aumento de apenas 0,3% em relação à média do ano passado.

As três cidades mais caras do mundo são em tempos de pandemia Hong Kong, Zurique e Paris. Estas duas últimas ultrapassam as líderes de 2019, Singapura e Osaka. Nova Iorque caiu do 4.º para o 7.º posto neste ano; a cidade chinesa com o custo de vida mais elevado é Xangai, com o 23.º lugar.

Cidades mais baratas (graças ao dólar)

Em contraciclo, há várias cidades na América, em África e na Europa Oriental que se tornaram mais baratas, enquanto as cidades da Europa Ocidental tornaram-se mais caras, diferença que se justifica, em parte, com um aumento das moedas europeias em relação ao dólar americano.

Nas dez categorias abrangidas pelo relatório, destaque para o tabaco e o lazer e entretenimento (que inclui eletrónica de consumo), que tiveram os maiores aumentos de preços desde 2019, enquanto os preços da roupa tiveram a queda mais acentuada.

Já no que diz respeito ao custo das mercadorias, o que influenciou mais mudanças foram a volatilidade da moeda, problemas no abastecimento, o impacto dos impostos e subsídios e mudanças nas preferências dos consumidores.

Os maiores aumentos de preços considerando os dólares americanos aconteceram em Teerão, cujo custo de vida geral subiu 10% devido às sanções dos EUA.

As maiores quedas de preços aconteceram no Rio de Janeiro e em São Paulo, já que o real perdeu valor e os níveis de pobreza nas duas cidades subiram. Em Singapura (que liderava a tabela em 2019), os preços caíram porque a pandemia provocou um êxodo de trabalhadores estrangeiros da cidade-estado, que perdeu população pela primeira vez desde 2003. Situação semelhante aconteceu com Osaka, com a estagnação dos preços e os subsídios do Governo japonês para uso gratuito dos transportes públicos.

João Tomé é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias