Netanyahu acusado de corrupção diz-se vítima de "caça às bruxas"

O procurador-geral de Israel acusou o primeiro-ministro de corrupção, fraude e quebra de confiança em três processos separados. Netanyahu diz estar a ser alvo de uma "tentativa de golpe"

Benjamin Netanyahu terá aceitado presentes de um empresário milionário e de ter feito favores em troca de uma cobertura mediática mais favorável. O primeiro-ministro de Israel acaba de ser acusado pelo procurador-geral de corrupção, fraude e quebra de confiança em três processos separados.

O chefe do governo israelita negou todas as acusações, garantindo estar a ser alvo de uma "caça às bruxas" orquestrada pelos seus opositores de esquerda e pelos media. Apesar da acusação formal, Netanyahu afirmou que não se irá demitir e que não é legalmente forçado a fazê-lo.

Num discurso transmitido pela televisão, Netanyahu diz estar a ser alvo de uma "tentativa de golpe" e considerou que o processo está "contaminado". O primeiro-ministro israelita garantiu que não vai renunciar ao cargo e que acusou as autoridades de perseguição e instou o país a "investigar os investigadores".

O anúncio das acusações contra Netanyahu surge num momento em que o país se encontra no caos político. Depois de tanto Netanyahu como o líder da oposição, Benny Gantz, terem falhado na tentativa de formar governo, após as eleições de setembro não terem dado maioria nem ao Likud nem à coligação Azul e Branca, a bola passou agora para o Parlamento israelita que tem 21 dias para tentar encontrar uma solução. Uma situação que nunca tinha acontecido em Israel.

Se falhar, o país terá de ir a novas eleições, as terceiras desde o início do ano.Três casos separados

No poder desde 2009, Netanyahu foi acusado pelo procurador-geral Avichai Mandelblit em casos separados. No primeiro, o primeiro-ministro é acusado de fraude e quebra de confiança por ter alegadamente recebido presentes de valor elevado, como champanhe cor-de-rosa e charutos, em troca de favores de amigos ricos. Netanyahu garante ter-se tratado de simpatias entre amigos.

O segundo caso, no qual o primeiro-ministro responde às mesmas acusações, refere-se a um acordo que terá feito com um dos principais jornais do país para promover legislação que enfraquecesse o seu rival. Em troca, o jornal comprometia-se a fazer uma cobertura positiva do chefe do governo. Netanyahu nega as acusações e lembra que tal legislação não chegou a ser aprovada.

O terceiro caso é considerado o mais grave. Nele, Netanyahu é acusado de corrupção, além de fraude e quebra de confiança. Nele o chefe do governo é acusado de promover decisões que favoreceram uma empresa de telecomunicações em troca de notícias positivas.

Não está obrigado a renunciar

Benjamin Netanyahu está inocente até prova em contrário, pelo que não existe qualquer barreira legal que o impeça de permanecer no cargo como primeiro-ministro de Israel. Pode demorar vários meses até que os casos sejam levados a um tribunal distrital e, mesmo condenado, Netanyahu não será obrigado a renunciar até que o processo de recursos estivesse esgotado, algo que pode demorar vários anos.

No entanto, será sempre questionada a capacidade do primeiro-ministro israelita de lidar com assuntos de Estado e defender-se simultaneamente, pelo que organizações não-governamentais podem solicitar ao Supremo Tribunal que force Netanyahu a renunciar. Por outro lado, os aliados de Netanyahu no parlamento podem tentar aprovar uma legislação que lhe concede imunidade enquanto estiver no cargo.

Notícia atualizada com declarações de Netanyahu

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