Premium Um novo líder do CDS a reboque do Chega? "Seria um erro"

Que o partido está em crise ninguém contesta. Mas é uma incógnita como poderá o futuro líder do CDS, que será eleito no congresso de 25 e 26 de janeiro, em Aveiro, recuperar o eleitorado adormecido e não deixar fugir votos para o Iniciativa Liberal e o Chega. Serão precisos valores mais conservadores?

O CDS entrou numa crise em outubro. As eleições legislativas sentenciaram o fim da liderança de Assunção Cristas, que teve um dos piores resultados de sempre para o partido, com 4,22% e apenas cinco deputados. As novas forças à direita, o Iniciativa Liberal e o Chega, parecem ter absorvido parte dos votos tradicionais que caíam no colo dos centristas. Cinco candidatos, quatro principais, perfilam-se para a presidência. João Almeida, o único deputado, é também o mais próximo da atual direção do partido - outros três saem das alas mais conservadoras do CDS: Filipe Lobo D'Ávila, Francisco Rodrigues dos Santos e Abel Matos Santos.

Todos estes falam na necessidade de focar o CDS na sua matriz ideológica, num regresso aos valores mais tradicionais. Tanto mais que o IL e o Chega poderão roubar-lhe algumas bandeiras e, nos próximos quatro anos de legislatura, atingir os desiludidos do CDS. Mas o partido deve falar no mesmo tom destes novos partidos?

"Seria um erro o CDS arrastar a sua liderança para a linha de André Ventura", afirma José Adelino Maltez. O politólogo ressalva que não encontrou no discurso dos candidatos mais à direita vestígios desse ímpeto pelo abismo do populismo ou por acantonar o partido numa corrente única.

"O CDS é um conglomerado de valores e de correntes, que sempre fez o jogo da democracia, e não se muda isso de um momento para o outro", afirma ainda. José Adelino Maltez desvaloriza, aliás, o mau resultado do CDS nas eleições legislativas. "Já aconteceu três vezes e o partido recuperou", lembra.

Os períodos mais negros foram pintados nas primeiras eleições de 1975, com 7,61%; em 1987, com 4,4%; e em 1991, com 4,43%. Uma altura em que ficou conhecido como o partido do "táxi". Precisamente a mesma situação em que se encontra, com os cinco deputados que saíram das urnas a 6 de outubro.

O politólogo diz que, mesmo que os candidatos mais conservadores ergam as bandeiras mais tradicionais do CDS - família, segurança, impostos -, não será por aí que o partido cresce. É preciso, garante, ser sobretudo "mobilizador" e acordar o eleitorado adormecido do CDS. Que, na sua opinião, não irá transferir-se para o IL ou ainda menos para o Chega. "O Ventura é uma sucessão de incidentes, mas que não terão consequências de maior", profetiza.

António Costa Pinto tem uma perspetiva diferente e considera que "o CDS se encontra numa encruzilhada complicada", com o aparecimento dos outros dois partidos de direita. Que vão, sublinha, tentar conquistar precisamente esse eleitorado adormecido ou desiludido. "Nas últimas dezenas de anos, o CDS tinha conseguido fixar eleitoralmente os setores mais conservadores, que se dispersaram com o aparecimento de novos partidos. E tem agora, com a nova liderança, de encontrar forma de não os perder quer para o Iniciativa Liberal quer para o Chega.

Mas o politólogo adverte: "Quanto maior a estabilidade deste governo maior a instabilidade à direita". Isto porque o IL e o Chega terão mais tempo para afinar a mensagem que querem fazer passar para o eleitorado.

António Costa Pinto admite que os candidatos da ala mais conservadora consigam ser mais bem-sucedidos a puxar o CDS para o seu património ideológico e a fixar o seu eleitorado tradicional.

Mas o que dizem os candidatos?

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