Exclusivo "A lei do celibato obrigatório não tem nenhum fundamento bíblico. Jesus não impôs essa lei"

O padre, professor universitário e filósofo Anselmo Borges lançou recentemente uma compilação de entrevistas que deu nos últimos 12 anos. Na qual não faltam os temas que mais perturbam os católicos e não só.

"Todas estas situações - pobreza, solidão, violência doméstica, suicídio, entre outras - são o contrário do Natal de Jesus." Quem faz a afirmação é o padre Anselmo Borges nesta entrevista a poucas horas do Natal, uma quadra que quase todo o mundo celebra mas em que as estatísticas são de envergonhar: "Pelo último relatório do índice de pobreza 2019 do PNUD, sabemos que uns 1300 milhões de pessoas (663 milhões são crianças) vivem na pobreza, dispondo de menos de 1,69 euros por dia. A cada dia morrem de fome mais de 30 mil pessoas (16 mil são crianças), e o fosso entre os muito ricos e os pobres cava-se cada vez mais fundo." Daí que conclua: "Este panorama contradiz totalmente o Natal e a sua mensagem essencial."

Lídia Jorge escreve no posfácio que alguns leitores, ao verem este novo livro nas montras, dirão o seguinte: "Aí está mais um livro do padre herege!" Até que ponto se revê na intuição da escritora?
Eu não me considero de modo nenhum herege, pois não nego nada de essencial da fé cristã. Procuro apenas, por um lado, ir mesmo ao essencial e, por outro, interpretar e compreendê-la no horizonte de compreensão do nosso tempo e sem ignorar a exegese bíblica contemporânea e os conhecimentos das ciências, desde as chamadas ciências exatas às ciências humanas, incluindo as neurociências e a política. Mas não me custa nada admitir que haja quem (cada vez menos) me considere herege.

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