Groundforce assegura dois meses de atividade com acordo com a TAP

Aviação TAP e Pasogal firmaram acordo de princípio para uma operação de sale & leaseback que permitirá a entrada de dinheiro suficiente para a Groundforce pagar os salários.

Os acionistas da Groundforce - a Pasogal e a TAP - firmaram um princípio de acordo para uma operação que permitirá a entrada de quase sete milhões de euros nos cofres da empresa de handling. É um "balão de oxigénio" - que deverá ser concluído nesta sexta-feira - que vai permitir pagar salários (os trabalhadores receberam apenas 500 euros referentes a fevereiro) e cumprir com outras obrigações financeiras durante, estima Alfredo Casimiro, administrador da Pasogal, dois meses.

É um primeiro passo para desbloquear o impasse que a Groundforce vive há quase um mês. Pouco antes da audição parlamentar aos trabalhadores, o presidente do conselho de administração da empresa, Alfredo Casimiro, que com a Pasogal detém 50,1% da companhia, revelou em comunicado que tinha alcançado um princípio de acordo com a TAP (que detém 49,9% da Groundforce e é também cliente) para desbloquear para já a situação que a empresa atravessa.

André Teiva, presidente da Plataforma de Sindicatos de Terra do Grupo TAP, ouvido no parlamento, explicou que "a solução passa pela TAP comprar os equipamentos todos à Groundforce e depois alugá-los à mesma. Uma operação que é conhecida por sale & leaseback e que permite a entrada de dinheiro suficiente para tratar da questão dos salários em atraso, dos impostos que têm de ser liquidados até à próxima segunda-feira e para os salários de março e, estamos em crer, em abril e maio enquanto, obviamente, se resolve a questão acionista, que tem de ser resolvida pelos próprios".

Esta sexta-feira o conselho de administração da Groundforce deverá dar a aprovação final à aquisição dos equipamentos de handling por parte da TAP, no valor de 6,9 milhões de euros, "valor esse que é o necessário e suficiente para que a SPDH (Groundforce) possa pagar os salários de fevereiro de 2021 e Março de 2021, bem como os correspondentes impostos de março de 2021", diz a TAP. André Teiva disse ainda que o remanescente dos salários de fevereiro será pago, o mais tardar, na segunda-feira.

Alfredo Casimiro, acionista da Pasogal, durante a sua intervenção, quis deixar claro que a situação da Groundforce não se devia à "gestão privada" mas à pandemia e à falta de apoios. "O culpado não sou eu, não é a gestão privada. É a pandemia! E a falta dos apoios prometidos pelo Estado", defendeu. "Sem a covid-19, a Groundforce continuaria a sua rota de crescimento, como está provado nos seus relatórios e contas dos últimos oito anos. Não foi por acaso que o próprio ministro, no passado mês de julho, se referiu à Groundforce, em diferentes reuniões, como "a única empresa participada do Estado sob a sua tutela que não lhe dava dores de cabeça e elogiou este modelo de parceria e a gestão da mesma", acrescentou.

Confirmando que tinha assinado o acordo de princípio para a venda de equipamento e sucessivo aluguer do mesmo, Casimiro não escondeu que esta operação "criará um balão de oxigénio que terá a sua duração máxima de cerca de dois meses".

A confirmar-se a venda à TAP, a Groundforce ganha tempo para conseguir resolver o problema de fundo."Resolvida a urgência, a Groundforce continuará a empenhar os seus melhores esforços, certamente com o apoio dos acionistas Pasogal e TAP, no sentido de resolver a questão de fundo. É preciso criar as condições para que a empresa possa desenvolver tranquilamente a sua atividade, como aconteceu nos últimos oito anos, preservando os postos de trabalho e o valor criado", notava a Pasogal em comunicado.

Miguel Frasquilho, chairman da TAP, notava que a operação de sale & leaseback "não é uma solução estrutural, trata-se de uma solução de curto prazo".

Durante a audição, Miguel Frasquilho clarificou que a TAP começou a fazer adiantamentos de pagamentos de faturas por serviços prestados pela Groundforce em agosto de 2020. E a partir de novembro, adiantamentos por serviços que seriam prestados no futuro.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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