SIS alerta forças de segurança para potenciais ataques a interesses judaicos em Portugal

Conflito no Médio Oriente pode "chegar" a Portugal, segundo documento do Serviço de Informações de Segurança enviado às polícias. É uma chamada de atenção moderada, mas vigilância deve ser reforçada junto de interesses judaicos.

O Serviço de Informações de Segurança (SIS) enviou um relatório para as forças de segurança nacionais a alertar para a possibilidade de virem a acontecer ataques a interesses judaicos em Portugal. O aviso surge na sequência do crescimento da violência e instabilidade motivadas pelo conflito no Médio Oriente.

Na análise efetuada, o SIS atribuiu grau 3 à eventual ameaça sobre interesses judaicos - o que representa um nível de risco significativo, um patamar acima daquele em que se encontra o país em geral (risco moderado - grau 4). É por isso pedido às forças de segurança que adotem medidas preventivas neste momento.

No documento expedido na segunda-feira (17 de maio), segundo garantiram ao DN fontes ligadas aos serviços de segurança, esta chamada de atenção é justificada com a escalada de violência entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, que se iniciou no dia 10 deste mês e que já provocou mais de 200 mortes entre os palestinianos e mais de uma dezena em Israel.

De acordo com elementos ligados às polícias - que pediram o anonimato, dada a sensibilidade da informação -, esta situação implica que exista uma missão de proteção e segurança a pessoas ou instalações que sejam potenciais alvos para atentados.

Neste caso a atenção das forças de segurança poderá ficar focada nas instalações da embaixada de Israel, bem como em sinagogas, associações judaicas e, segundo frisaram, restaurantes israelitas.

Nestes contactos também foi assegurado que a representação israelita em Portugal conta com uma segurança bem preparada para este tipo de situações.

Segundo explicaram ao DN as fontes contactadas, o nível significativo representa a possibilidade de existir um atentado contra uma pessoa ou instalação, cujo resultado final poderá não ter grande impacte. Segundo os analistas do Sistema de Informações de Segurança as operações das polícias, neste nível, implicam a coordenação da Secretária-Geral do Sistema de Segurança Interna no planeamento e na execução. Nos contactos realizados junto das forças de segurança nacionais foi ainda garantido ao DN que este nível de alerta já estava a ser implementado no terreno e que foi acionado de forma discreta pouco depois de o conflito em Gaza se ter agudizado.

De acordo com fontes consultadas sempre que uma situação desta natureza ocorre, os países que mantêm relações com as regiões afetadas por conflitos ou quebras de segurança tendem a aumentar o nível de alerta, de forma a poderem analisar mais de perto e ao momento eventuais riscos que possam verificar-se, no sentido de antecipar eventos ou dar resposta rápida a potenciais situações de perigo. É ao SIS que cabe fazer essa avaliação e sempre que necessário pôr as restantes forças de segurança a par da ameaça e da necessidade de subir o nível de alerta.

Crise começou no dia 10

A retirada de palestinianos de um bairro de Jerusalém Oriental - a parte árabe da cidade anexada por Israel em 1967 - foi o gatilho para este escalar de violência no Médio Oriente, que teve início no dia 10 e que resultou nos piores distúrbios dos últimos anos na região. Até esta terça-feira, já se somavam mais de 200 mortos, 1300 pessoas feridas e cerca de 40 mil desalojados na Faixa de Gaza, dez em Israel e 22 mortos na Cisjordânia, com uma semana marcada pelo lançamento massivo de rockets por grupos armados em Gaza em direção a Israel e a resposta do lado israelita a chegar sob a forma de bombardeamentos à Faixa de Gaza.

A escalada do conflito representa mais um capítulo nas décadas de tensão em Jerusalém Oriental, que culminou com confrontos na Esplanada das Mesquitas - o terceiro lugar sagrado do Islão.

A expulsão de famílias palestinianas das suas casas, no início do Ramadão - mês sagrado para os muçulmanos -, depois de confirmada por um tribunal israelita a decisão a favor dos colonos judeus, provando uma reivindicação judaica de décadas sobre a terra, irritou os palestinianos e motivou um crescendo de protestos e violência que se intensificou neste mês. E todos os pedidos internacionais para se avançar para um cessar-fogo têm sido ignorados por ambas as partes.

Esta terça-feira, no mesmo dia em que os ministros dos Negócios Estrangeiros de toda a União Europeia (exceto Hungria) se juntaram para apelar ao cessar-fogo, o primeiro-ministro português, António Costa, em Paris, apelou também a que "Israel pare imediatamente com estes ataques para se regressar a um ponto em que o caminho para a paz seja possível e não se agrave este caminho para o conflito".

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valentina.marcelino@dn.pt

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