Está a nascer um novo mosteiro em Bragança. E vai receber 40 monjas de clausura italianas

Ainda se constroem mosteiros em solo português e o mais recente está a ser edificado em Miranda do Douro, no distrito de Bragança. O futuro Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja será a casa de 40 monjas italianas da Ordem Trapista, sendo que dez destas chegarão já em outubro a Portugal.

Cá dentro, Palaçoulo soa a distante, ali plantada no extremo norte fronteiriço a Espanha, com pouco mais de 500 habitantes. Mas esta freguesia de Miranda do Douro chega a todo o mundo, através da comercialização de produtos artesanais como instrumentos de corte e pipas, que voam até locais tão longínquos como a Nova Zelândia. Agora, o mundo vem ter a Palaçoulo, na pele de 40 monjas italianas que irão inaugurar o mais recente mosteiro português: o Mosteiro Trapista de Santa Maria, Mãe da Igreja.

"Esta diocese começou com um mosteiro Beneditino, em Castro de Avelãs, e 475 anos depois volta a ter um mosteiro segundo a regra de São Bento e que há de suscitar um maior bem para Palaçoulo, para esta diocese, para Portugal, para toda a Igreja", lembrava o bispo da diocese de Bragança-Miranda, D. José Cordeiro, no início deste ano, perante os jornalistas. Desde a construção do Mosteiro de São Bento de Singeverga, em Santo Tirso, há 128 anos, que não se construía um mosteiro em Portugal.

A obra de 30 hectares, iniciada em 2018, no valor de seis milhões de euros, que se ergue em Bragança, é uma sequência do Mosteiro de Vitorchiano, em Itália, de onde partem as monjas da Ordem Cisterciense da Estrita Observância (OCSO) - também conhecida como Ordem Trapista - que irão agora dedicar-se à sua missão em terras portuguesas. O terreno foi doado pela Paróquia de São Miguel de Palaçoulo.

O mosteiro estará orientado "para a contemplação" das monjas que se dedicam "ao culto divino segundo a regra de São Bento dentro do recinto do mosteiro", como explicou a diocese ao DN. Exatamente por se tratar de uma "ordem contemplativa de clausura", a obra está alicerçada à "regra da ordem cisterciense de estrita observância" e deverá obedecer a "disposições arquitetónicas e funcionais peculiares". Por isso, contemplará espaços para oração - uma igreja "com lugar para o coro das monjas e para a assistência de leigos exteriores à comunidade" e um claustro para "momentos de oração maioritariamente privada".

Um mosteiro autossuficiente

O primeiro grupo de dez monjas deverá chegar até outubro, quando se prevê que a obra esteja concluída, mas espera-se um total de 40 a viver no novo mosteiro. De acordo com a diocese, todas elas já dominam a língua portuguesa e também a mirandesa. Falada e escrita: este grupo até já editou três pequenos livros infantis em português, com orações para as crianças lerem.

Veja aqui o vídeo das monjas a anunciar a sua vinda para Portugal:

De acordo com os princípios desta Ordem, o mosteiro deverá ser autossuficiente e o trabalho garantido pelas próprias monjas. "Tradicionalmente a ocupação das monjas cistercienses é o trabalho agrícola, de afeiçoamento da natureza. Deste modo o mosteiro é, salvo as especificações relativas aos espaços de oração, semelhante a um importante complexo agrícola", explica a diocese. Contará, por isso, com áreas dedicadas ao cultivo e à pecuária.

Espera-se ainda que as monjas se dediquem à "transformação de alguma da sua produção agrícola - nomeadamente em compotas - ou terem algum outro tipo de atividade artesanal (tecelagem, fabrico de chocolate, etc.)".

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