Pandemia já "roubou" mais de dois mil milhões em receitas à hotelaria

Até outubro, as unidades hoteleiras acolheram 7,3 milhões de hóspedes e pouco mais de 19 milhões de dormidas, números muito abaixo dos registados em 2019.

É uma equação simples: menos turistas é igual a menos dormidas e a menor receita. Os proveitos totais da hotelaria (hotéis, hotéis-apartamentos, pousadas e quintas da Madeira, apartamentos turísticos e aldeamentos turísticos) de janeiro a outubro ascenderam a 1,15 mil milhões de euros, de acordo com cálculos do DN/Dinheiro Vivo com base nos dados divulgados esta quinta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Apesar de 2020 ser um ano atípico, porque a quebra da atividade se deve à pandemia, se compararmos com o mesmo período de 2019, percebe-se que a quebra nos proveitos totais (que inclui receitas obtidas com os quartos, mas também, por exemplo, com aluguer de salas para eventos) da hotelaria é na casa dos 66%, o que significa menos 2,2 mil milhões de euros. Nos primeiros dez meses de 2019, a receita total da hotelaria (que tem um peso de mais de 80% para os proveitos totais do alojamento turístico) superou os 3,4 mil milhões de euros.

Os proveitos totais registados até outubro estão abaixo do que as unidades hoteleiras tinham registado nos primeiros dez meses de 2013, ano que Portugal estava ainda a aplicar o programa de ajustamento e em que o portfólio de unidades hoteleiras não era tão grande.

Neste ano, os proveitos de aposento até outubro são de quase 848 milhões de euros, uma quebra superior a 60% comparando com o período homólogo.

Apesar de janeiro e fevereiro terem sido meses de crescimento para a atividade turística em Portugal, com a chegada da pandemia, em março, muitos hotéis encerraram portas. À medida que o desconfinamento foi acontecendo, houve unidades que optaram por reabrir - os dados do INE indicam que em agosto foram 21% dos estabelecimentos de alojamento turístico (que além da hotelaria conta também com o alojamento local e o turismo no espaço rural).

Contudo, com o fim do verão e o regresso das medidas de restrição, a tendência de perda tem-se agravado. Em outubro, 32,1% dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não registaram movimento de hóspedes.

A Associação da Hotelaria de Portugal realizou recentemente um estudo, cujas conclusões foram divulgadas na semana passada, que aponta que 45% dos inquiridos pretendem encerrar nos próximos meses - ou já estão encerrados - e muitos estimam reabrir apenas no início do segundo trimestre.

As fortes quebras são transversais a todo o setor do turismo. Nesta quarta-feira, a secretária de Estado do Turismo, no Parlamento, indicou que "tivemos até setembro de 2020 uma quebra na faturação nas empresas do setor do turismo de 7,7 mil milhões de euros, o que representa basicamente um decrescimento de receitas de 56%, recuando 2010".

Menos 14 milhões hóspedes

De janeiro a outubro, as unidades de alojamento turístico acolheram 9,6 milhões de hóspedes, dos quais 7,3 milhões ficaram na hotelaria, e realizaram 19,1 milhões de dormidas. Nos primeiros dez meses do ano passado, o alojamento turístico tinha contado com mais de 23,8 milhões de hóspedes, dos quais 14,6 milhões eram estrangeiros. Olhando para os números de 2020 e de 2019, percebe-se que Portugal contou com menos 14,1 milhões de hóspedes.

A hotelaria até outubro de 2019 tinha granjeado a fatia de leão dos turistas: tinha acolhido 18.8 milhões de hóspedes e 51,7 milhões de dormidas.

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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