Pequenos negócios de verão: quanto custam e como financiar?

Ter um tuk-tuk para mostrar os recantos da cidade aos turistas pode custar-lhe entre 290 e 315 euros por mês. Saiba quais são as opções de financiamento para quem quer ter um pequeno negócio de verão.

Portugal recebeu um recorde de 22,8 milhões de turistas no ano passado e as receitas provenientes do turismo somaram 16,6 mil milhões de euros. Atraídos por este dinamismo, são cada vez mais os empreendedores que metem mãos à obra e fazem nascer pequenos negócios de verão.

Mas, apesar das oportunidades, é preciso dispor de alguns capitais próprios para fazer face ao investimento inicial ou recorrer ao financiamento. A plataforma ComparaJá analisou em exclusivo para o DN/Dinheiro Vivo quais são as alternativas de financiamento existentes.

Uma das opções é recorrer a business angels, que não são mais do que investidores privados que, face a projetos considerados viáveis, investem com a contrapartida de ficaram sócios da empresa através de royalties, disponibilizando toda a sua rede de contactos e conhecimentos de gestão e marketing. Existe também a modalidade de crowdfunding, ou financiamento colaborativo, em que são angariados fundos para quem colocar o seu projeto em plataformas online específicas para comunidades que investem em novos negócios. Outra alternativa consiste nos empréstimos peer to peer (P2P), também realizados em plataformas online, em que é possível receber financiamento de particulares com taxas de juro mais atrativas.

Também o Estado apoia a criação de novos negócios. Por exemplo, a iniciativa Startup Portugal Momentum destina-se a recém-licenciados que queiram abrir o seu próprio negócio. Outra opção é a Linha de Apoio à Qualificação da Oferta, um instrumento de financiamento específico para a área do turismo que resulta de um protocolo entre instituições financeiras e o Turismo de Portugal e que promove melhores condições no acesso ao financiamento. Qualquer empresa turística, seja de que dimensão for, pode candidatar-se a este programa.

Mas a opção mais habitual é recorrer a um crédito pessoal para pequenos negócios. Esta solução tem como vantagem poder-se investir em tudo aquilo de que se precisa de uma vez só e ir pagando em prestações mensais. E, se não tiver acesso ao crédito pela via regular ou se se encontra desempregado, pode optar pelo microcrédito, que também conta com o apoio do Estado.

A ComparaJá recorreu a dois casos práticos para perceber qual o investimento necessário e se compensa recorrer ao crédito: um tuk-tuk - até dez mil euros de investimento - e um food truck - até 30 mil euros.

O primeiro passo é adquirir a viatura: um tuk-tuk usado a diesel, no valor de 7000 euros. Para complementar, um sistema de comunicação wi-fi. E, para dar a conhecer os serviços, há que criar um website, distribuir press kits junto de hotéis e ainda panfletos para colocar em locais públicos e folhetos informativos para entregar aos clientes com percursos e pontos de interesse. Ao todo, a estimativa do investimento inicial ascende a 9500 euros. Mas ainda será necessário contratar seguros de acidentes pessoais, de responsabilidade civil e para motociclos. A nível de licenciamento, será preciso proceder ao Registo Nacional dos Agentes de Animação Turística junto do Turismo de Portugal. Considerando um crédito pessoal para pequenos negócios, de 9500 euros a 36 meses, e de acordo com as simulações no comparador da ComparaJá, com TAEG (taxa anual de encargos efetiva global) a variar entre 9% e 13,6%, as mensalidades poderão ir de 290 a 315 euros.

Para o exemplo de um investimento até 30 mil euros - o do food truck -, o primeiro elemento a considerar é também a compra da carrinha. Optando, mais uma vez, por uma viatura usada, a custar 16 500 euros, será necessário fazer todas as transformações para a tornar uma cozinha - bancadas em inox, sistema elétrico e demais decorações. Apontando para um investimento inicial de 29 750 euros, poderá fazer sentido contrair um crédito pessoal para pequenos negócios no valor de 30 mil euros, por um prazo de 60 meses. De acordo com as simulações realizadas no comparador, com TAEG a variar entre 8% e 13,4%, a mensalidade irá de 590 a 660 euros. Para além deste investimento, será necessário passar pelo licenciamento obrigatório, que incide em duas vertentes: o licenciamento para instalação de serviços de restauração e o do exercício da atividade de venda ambulante. Acrescem ainda despesas anuais com seguros multirriscos para os equipamentos, de acidentes de trabalho para os colaboradores, automóvel e de responsabilidade civil para exploração (setor alimentar).

Dependendo da sua ideia, o importante mesmo é pesquisar e comparar as opções de financiamento que melhor se adequam às suas necessidades. E bons negócios.

* jornalista do Dinheiro Vivo

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