Exclusivo Ser ou não ser judeu

Na filmografia europeia de Joseph Losey, Mr. Klein (1976), protagonizado por Alain Delon, emerge como um retrato invulgar da repressão nazi.

A obra de um cineasta, como de qualquer criador, não é uma "ilustração" automática da sua existência individual. Seja como for, no caso de Joseph Losey não será abusivo supor que a perseguição de que foi alvo nos EUA, durante o período macarthista (levando-o a escolher a Europa para viver e continuar a filmar), reforçou a sua metódica atenção aos mecanismos da repressão. E não necessariamente ao que, em tais mecanismos, envolve a ação de estruturas militares ou policiais: a sua obra sabe dar a ver a "normalização" como repressão.

A cena de abertura de Mr. Klein (1976) é, nesse aspeto, exemplar e infinitamente perturbante. Em Paris, em 1942, durante a ocupação nazi, um médico observa uma mulher nua, tocando-a ostensivamente, descrevendo em particular a morfologia do rosto. Uma enfermeira vai registando os dados que o médico lhe comunica: "expressão geral da fácies mais ou menos judaica...", etc., para concluir que "o sujeito examinado poderá pertencer à horda da raça semítica."

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