Confinar e baixar expectativas

"A economia vai voltar a piorar e o novo confinamento não surtirá os efeitos necessários na saúde, por ter demasiadas exceções." Esta é a frase mais ouvida nas últimas 24 horas. Dos médicos aos políticos, dos empresários aos trabalhadores, muitos são os que creem pouco neste modelo de confinamento, que, afinal, pouco tem que ver com o que vivemos em março e abril de 2020.

As ruas, os parques, os jardins estão cheios, como se vê na fotorreportagem, registada ontem pelas câmaras do Diário de Notícias. Contactadas várias fontes e leitores que residem noutras cidades do país, os relatos são semelhantes. Desta vez, com tantas exceções, os portugueses não confinaram do mesmo modo. A economia voltou a arrefecer e os patrões temem que as falências apareçam em catadupa e, ao mesmo tempo, inevitavelmente, vão perder-se mais postos de trabalho. A este propósito, vale a pena ler a entrevista de António Saraiva, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), no caderno de economia Dinheiro Vivo. "Já perdemos cerca de 200 mil empregos. Se nada for feito, receio que este número dobre", alerta o patrão dos patrões.

De outra geração, Francisco Rodrigues dos Santos, com 32 anos e líder do CDS-PP, está também preocupado com a crise. "Desconfinámos mais no Natal do que outros países europeus e agora estamos a pagar a fatura", critica, lançando farpas ao governo socialista de António Costa. Sobre a manutenção das escolas abertas durante o novo período de estado de emergência e de confinamento, "não estou otimista para o que vai acontecer daqui a 15 dias", admitindo que o número de infetados e de mortos por covid-19 possa exigir fechar os estabelecimentos de ensino, no final de janeiro. "Julgo que já deveriam ter fechado para os alunos com mais de 12 anos." Uma entrevista para ler no Diário de Notícias.

Da direita à esquerda, avolumam-se as críticas à gestão da pandemia e antevê-se a necessidade de maior dureza nas restrições e maior benevolência nos apoios do Estado às empresas, para que consigam enfrentar e sobreviver a mais um período em que muitos setores voltam a estar internados nos cuidados intensivos.

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