Covid roubou 3,2 mil milhões ao alojamento turístico em um ano

Nos primeiros dois meses deste ano a hotelaria, o alojamento local e o turismo em espaço rural perderam quase 320 milhões de euros em proveitos totais, mostram dados do INE.

Está longe de ser um segredo que o turismo é um dos setores mais afetados pela pandemia de covid-19. E, contas feitas, um ano de pandemia (entre março de 2020 e fevereiro de 2021) "roubou" mais de três mil milhões de euros em proveitos totais às unidades de alojamento para turistas , ou seja, a hotelaria, o alojamento local (AL) com dez camas ou mais e o turismo em espaço rural. Apenas em janeiro e fevereiro deste ano, os estabelecimentos de alojamento para viajantes perderam quase 320 milhões de euros.

O início de 2020 começou com um crescimento tanto do número de hóspedes, como de dormidas e proveitos. Janeiro e fevereiro abriam assim a porta para que o ano passado prolongasse a tendência de recordes sucessivos no turismo em Portugal. Mas março foi o mês de inversão, em linha com o que aconteceu em grande parte dos países europeus, principais mercados emissores de turistas para Portugal. Com grande parte do velho continente já confinado, o primeiro estado de emergência entrou em vigor a 19 de março, mas a atividade turística nacional começou a sentir os primeiros sinais dias antes. Abril e maio foram meses em que a maioria dos hotéis, e outros alojamentos, estiveram de portas fechadas. A caminho do verão, e acompanhando o processo de desconfinamento, as unidades foram gradualmente abrindo portas e recebendo turistas. O verão foi distinto de outros anos mas, ainda assim, contou com turistas nacionais e estrangeiros. A chegada do inverno, sem grandes eventos e com uma Europa quase fechada, voltou a ser sinónimo de muitas unidades encerradas e, no início de 2021, um novo confinamento foi decretado.

Contas feitas a 12 meses de pandemia é possível perceber a dimensão da fatura. Entre março do ano passado e fevereiro de 2021, os estabelecimentos de alojamento para turistas registaram oito milhões de hóspedes, longe dos mais de 24,8 milhões registados entre março de 2019 e fevereiro de 2020, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Com uma queda de quase 71% nos hóspedes, as dormidas também afundaram, na ordem dos 72%. No acumulado dos 12 meses de pandemia, as unidades para viajantes registaram pouco mais de 20 milhões de dormidas, muito distante das mais de 70,8 milhões de dormidas entre março de 2019 e fevereiro de 2020. Antes da pandemia, o turismo interno era responsável por cerca de um terço da atividade turística em Portugal. Apesar de terem sido os residentes a ocuparem grande parte das unidades de alojamento, as dormidas dos nacionais diminuíram cerca de 44%, enquanto as de não residentes diminuíram quase 84%.
Os proveitos totais (que além dos de aposento incluem os que provêm da restauração, aluguer de salas, etc.) também afundaram mais de 70%. Em um ano de pandemia, os proveitos totais foram de 1,1 mil milhões de euros, segundo os números do INE. No acumulado do período homólogo, esta receita tinha ascendido a mais de 4,3 mil milhões de euros. Registou-se assim uma queda de quase 74%. Durante a pandemia, os proveitos de aposento foram o que mais contribuíram para os proveitos totais.

Pós-primeiro ano
Pouco depois das celebrações do Ano Novo, Portugal voltou a confinar e grande parte das unidades de alojamento encerraram portas. Nos primeiros meses deste ano, os proveitos totais rondaram os 51,2 milhões de euros, um valor que contrasta com os mais de 370 milhões de euros obtidos em janeiro e fevereiro de 2020.
Findo o primeiro ano de convivência com a covid-19, o que se segue é uma incógnita. Contudo, o mês de março, pelo menos, deverá ainda refletir os efeitos do confinamento que se prolongaram até à Páscoa, que se celebrou a 4 de abril).

Ana Laranjeiro é jornalista do Dinheiro Vivo

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