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Foi em Óbidos, onde estava participando num festival de literatura, que fiquei a saber que um grupo de cidadãos cabo-verdianos está a preparar uma ação judicial a intentar contra o governo de Cabo Verde com o fim de o tribunal obrigar quem de direito a publicar pelos meios competentes os contratos que tenha celebrado com as companhias aéreas estrangeiras, TAP e BINTER, contratos esses que lhe permitem na prática exercer o monopólio dos transportes aéreos nacionais e internacionais.

Por sinal foram dois cabo-verdianos que me puseram a par desse assunto. Eu estava caminhando na chamada Rua Direita de Óbidos, apreciando aquele formigueiro de gente atravancando aquela ruinha comprida e estreita. Dizem-me que isto aqui tem 60 habitantes, pensei, quer dizer que este povo de calções e em festa e carregando máquinas fotográficas é tudo turista. Parei também junto de um dos muitos balcões de serviço de ginjinha que enchem aquela rua, mais para ver o que era isso de ginjinha com chocolate de que desde Cabo Verde me vinham falando, do que propriamente interessado em provar uma, o que via desiludia-me um pouco, tinha imaginado taças de chocolate quente acompanhando goles de ginjinha. Mas nisso alguém ao meu lado bate-me no ombro e pergunta curioso, Você agora vive aqui? Eu não, que ideia, respondo ao mesmo tempo que olho para alguém que apenas me parece familiar mas que não localizo no imediato quem possa ser... Bem, como o vi ainda há dias e volto a encontrá-lo de novo... Há avião e avião, sorri para ele, por isso há ir e voltar. E, no meu caso, voltar a regressar, vim participar no Folio de Óbidos. Muito bem, disse ele, nós outros estamos aqui numa excursão, vimos agora provar uma ginjinha, não se pode sair daqui sem fazer isso, e já agora é nosso convidado. Agradeci, disse que me parecia ainda cedo para beber. Está a ver aquilo ali?, apontou um minúsculo copinho feito de chocolate, é aquilo, não faz mal a ninguém. E pediu três. Emborcámos. Ninguém anda com um pé só, disse o companheiro, e pediu mais três. Desta vez parámos para saborear. E foi enquanto estávamos nisso que um deles falou da estória de os cabo-verdianos quererem levar o governo a tribunal.

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