Exclusivo Fado e Dj, bairros históricos ou novos, quantas Lisboas cabem em Lisboa?

Bairros históricos com ruas estreitinhas que têm saudades dos trolleys dos turistas, bairros novos com prédios altos e gente a fazer exercício junto ao rio. Fado e DJ. Noite e dia. Há de tudo nesta cidade que este sábado celebra o Santo António sem arraiais nem sardinha assada. Quantas Lisboas cabem em Lisboa?

Lá fora o chinfrim dos elétricos que passam mesmo juntinho à porta, cá dentro o som das guitarras. Passa pouco das quatro da tarde de sábado, dentro da tasca apagam-se as luzes da sala e acende-se uma luz vermelha. Calam-se as vozes, pousam-se os talheres. O Jaime tira a máscara da cara e surpreende-nos com a sua voz profunda: "Canoa de vela erguida/ Que vens do Cais da Ribeira/ Gaivota, que andas perdida/ Sem encontrar companheira." Na Tasca do Jaime e da Laura o fado é vadio e cantado por quem apareça com vontade de cantar. A porta aberta para a Graça, os pastéis de bacalhau num prato, e há sempre quem aplauda. "Não são clientes, são amigos", diz ela.

Laura tem 54 anos e chegou a Lisboa com 12, vinda de Fonte Arcada, aldeia de Sernancelhe, na Beira Alta. Por essa altura, Jaime, que é um bocadinho mais velho do que ela, tem agora 61, também já estava na capital, vindo de Castelo Branco, na Beira Baixa. "Eram outros tempos", conta ele. "Imagine ter de deixar a família com esta idade." Jaime veio para trabalhar na mercearia de um tio, cresceu atrás de um balcão, a vender feijão e a fazer contas com tostões. Laura veio servir, como se dizia então, em casa de uma "família muito boa". Tinha de tomar conta dos meninos, limpar a casa, tratar da roupa. "Ao princípio não sabia nada, foi a senhora que me ensinou." Ensinou-lhe tudo, também a cozinhar. Quando o Jaime a conheceu, ficou encantado. "Ela era uma menina. Era muito educada", recorda, embevecido. "Aos domingos à tarde, tínhamos folga e havia bailes nas coletividades. Foi assim que nos conhecemos, em Arroios." Casaram-se há 34 anos.

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