Exclusivo "O modelo ideal de governo para boa parte da esquerda espanhola era o português"

O governo de coligação de esquerda presidido por Pedro Sánchez abre uma nova etapa na política espanhola. São muitos os problemas que tem pela frente e muitas as incógnitas em relação ao casal político Sánchez- Iglesias. A jornalista do El País Anabel Díez, especializada em informação política e parlamentar, analisa para o DN os novos desafios deste governo.

Espanha já tem governo. Vai conseguir chegar até o fim da legislatura?
A vontade do governo é que seja longo e vai tentar que assim seja, mas vai ser difícil, uma vez que a sua vontade não é suficiente. Vão ter muitos problemas, inconvenientes, alterações e a dúvida está em saber se vão conseguir ultrapassá-los ou não.

Quais serão os principais problemas para Pedro Sánchez?
Por um lado a própria experiência de um governo de coligação, que é inédita em Espanha. Desde que foi restaurada a democracia nunca houve um governo de coligação, temos que ir até antes da ditadura, à Espanha dos anos 1930. E um dos problemas vai ser o encaixe entre os dois partidos de esquerda. Os dois, logicamente, vão querer ter preponderância um sobre o outro. O PSOE, que é o grande, vai resistir o possível para evitar que em visibilidade e protagonismo seja ultrapassado pelo Unidas Podemos. Por outro lado, temos o tipo de políticas. Falou-se muito do programa eleitoral mas no dia-a-dia podem surgir problemas ou situações em que cada partido tenha uma visão diferente. E também, para levar adiante as políticas, não bastam os deputados do PSOE e Unidas Podemos, faltam mais 21. Ou seja, vão precisar do apoio de outros partidos. E depois temos a Catalunha. O mundo independentista, que está dividido, vai tentar impor algumas das suas reivindicações que são impossíveis de aceitar por Pedro Sánchez da forma em que estão hoje a ser propostas. Sánchez nunca poderá aceitar a autodeterminação da Catalunha e também não pode libertar os presos que foram condenados pelo Supremo Tribunal de Espanha. Há problemas imediatos com que este governo vai ter de lidar e enfrentar.

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