Eliminar o Atlético? Juventus e Ronaldo à procura de repetir feito único

Foi com o Atlético de Madrid, há 54 anos, que os italianos deram a volta a uma eliminatória depois de ter perdido por dois golos de diferença na primeira mão. CR7 também só alcançou feito semelhante por uma vez com um hat trick quando há três anos representava o Real.

"Podemos viver uma noite especial. Queremos dar uma grande resposta e entrar nos quartos-de-final." O mote foi dado por Cristiano Ronaldo em entrevista à televisão da Juventus, clube que nesta terça-feira tem um desafio gigantesco: dar a volta à desvantagem de 0-2 sofrida em casa do Atlético de Madrid para assim garantir a passagem aos quartos-de-final da Liga dos Campeões.

E para o conseguir será preciso uma noite heroica como aquela que foi vivida no Estádio Olímpico de Turim no dia 26 de maio de 1965, nas meias-finais da Taça das Cidades com Feira (antecessora da Taça UEFA e da Liga Europa), quando a Juve deu a volta à desvantagem de 1-3 sofrida em Madrid em apenas oito minutos. Entre os 50 e os 58 minutos, a equipa italiana marcou três golos e ficou à frente da eliminatória, embora um golo de Luis Aragonés aos 83' tenha obrigado a uma partida de desempate (na altura não havia prolongamento e penáltis).

O terceiro jogo realizou-se uma semana depois, também em Turim, e o resultado repetiu-se: 3-1 para a Juventus, que viu o Atlético adiantar-se no marcador pelo português Jorge Mendonça, que representou os colchoneros durante nove épocas, antes de se mudar para o Barcelona.

Ou seja, Cristiano Ronaldo, João Cancelo e companhia têm de desafiar a história que só há quase 54 anos foi favorável à Juventus, precisamente diante do Atlético, pois essa foi a única vez em toda a história das competições da UEFA que a Vecchia Signora conseguiu um apuramento depois de perder por dois golos de diferença na primeira mão de uma eliminatória. Esse facto faz aumentar ainda mais a dificuldade da tarefa que os italianos têm pela frente.

Esta eliminatória foi a primeira de três que o Atlético de Madrid perdeu, depois de ter vencido na primeira mão por dois golos de diferença. Dois anos e meio depois voltou a acontecer, mas diante dos turcos do Göztepe, pois à vitória de 2-0 no Estádio Vicente Calderón, os colchoneros eram treinados por Otto Glória, brasileiro que fez carreira de sucesso em Portugal, seguiu-se uma goleada de 3-0 na Turquia, numa partida em que os espanhóis terminaram reduzidos a nove jogadores devido a duas expulsões.

Foi há quase 42 anos que o Atlético desperdiçou tamanha vantagem numa eliminatória pela última vez. Foi nas meias-finais da extinta Taça das Taças, quando recebeu e venceu o Hamburgo, por 3-1, e depois viajou até à Alemanha, onde a equipa então treinada por Luis Aragonés foi derrotada por 3-0.

Quando Ronaldo deu a volta ao Wolfsburgo

CR7 só viveu uma noite dessas, épica, em 159 jogos que realizou na Liga dos Campeões. Foi em abril de 2016, nos quartos-de-final da Champions, ao serviço do Real Madrid, quando perdeu em Wolfsburgo por 2-0 mas acabou por dar a volta ao resultado no Santiago Bernabéu com um 3-0, resultado construído com um hat trick de Ronaldo, pois claro. Nessa época, os merengues chegaram à final conquistada precisamente diante do Atlético de Madrid, no desempate por penáltis.

Cristiano Ronaldo ficou em branco na partida da primeira mão em que há três semanas a Juventus perdeu (0-2) no Estádio Wanda Metropolitano, diante do Atlético de Madrid. Contudo, esta foi apenas a 18.ª vez em 32 jogos que o internacional português não marcou aos colchoneros, diante de quem apontou 22 golos, dos quais sete na Liga dos Campeões.

Aliás, CR7 participou mesmo em quatro remontadas (expressão espanhola que define reviravolta no resultado) em dérbis de Madrid. A mais emblemática de todas foi, precisamente, no Estádio da Luz, na final da Champions, em 2014. Um golo do uruguaio Diego Godin colocou o Atlético a vencer desde os 36 minutos até ao tempo extra, altura em que Sérgio Ramos empatou e levou o jogo para prolongamento, em que Gareth Bale, Marcelo e Ronaldo (de penálti) construíram um triunfo por 4-1, que serviu para garantir o troféu.

O mesmo resultado verificara-se cerca de dois anos e meio antes, numa partida da Liga espanhola, no Bernabéu. O agora portista Adrián López adiantou o Atlético no marcador (15'), mas o Real Madrid respondeu com dois golos de Ronaldo, um de Di María e outro de Gonzalo Higuaín. Em janeiro de 2011, outra remontada, com mais um golo de CR7 que contribuiu para um triunfo por 3-1. No primeiro dérbi da estrela portuguesa também houve reviravolta no marcador, por 3-2, mas dessa vez ficou em branco frente a um Atlético onde jogavam Tiago e Simão Sabrosa.

"A Juve não é só Cristiano", diz Simeone

O Atlético de Madrid apresenta-se em Turim com quatro baixas, das quais se destaca o avançado Diego Costa, que, tal como Thomas Partey, cumpre castigo, além dos lesionados Filipe Luís e Lucas Hernández. A boa notícia para o técnico Diego Simeone é que o capitão Diego Godin recuperou de um problema físico e vai jogar. Já a Juventus não pode contar com o suspenso Alex Sandro e com os lesionados Khedira e Douglas Costa.

Mas essas baixas não desanimam as equipas. "A equipa está confiante em fazer um grande jogo e eu também", assumiu Cristiano Ronaldo, acreditando que a Juve pode "viver uma noite especial", na qual espera ajudar com golos, pois assume ser "um prazer ajudar a equipa a vencer".

"Pensem positivo, vamos acreditar que é possível, mas precisamos da vossa ajuda. Façam o estádio fantástico e tentaremos fazer o nosso melhor em campo", acrescentou CR7 numa mensagem aos adeptos através da televisão da Vecchia Signora. O internacional português é, aliás, o protagonista de um vídeo motivacional da Juve que já circula nas redes sociais, para apelar aos adeptos para uma noite de glória.

A confiança de CR7 é partilhada pelo seu treinador, Massimiliano Allegri, que na antevisão da partida deixou uma garantia: "Estamos prontos para fazer um grande jogo." "Vamos precisar muito dos nossos adeptos durante a partida para que seja uma noite maravilhosa. A Juventus terá de ser uma equipa inteligente, pois sabemos que o Atlético vai contra-atacar para marcar um golo que pode valer o apuramento, por isso temos de jogar com cabeça", acrescentou o técnico italiano.

Diego Simeone, treinador do Atlético de Madrid, já veio no entanto dizer que a sua equipa não assume o favoritismo para passar aos quartos-de-final, apesar da vantagem de 2-0 que levou para Turim. "Não nos faz favoritos e é muito difícil dizer quem é o favorito", assumiu, deixando um aviso: "Se formos humildes e trabalharmos, conseguiremos passar a eliminatória." E nesse sentido lembrou que "a Juve não é só Cristiano Ronaldo, pois tem uma grande equipa", razão pela qual a sua equipa "tem de estar concentrada".

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