Poesia. O lado B de Nicolau Santos

Silêncio que se vai ouvir dizer poesia! Podiam começar assim os vídeos no Instagram de Nicolau Santos. O atual presidente do conselho de administração da RTP usa as suas redes sociais para dizer poesia. É esse o seu lado B: a poesia - lida, escrita ou, como no caso, dita. Conta ao DN que há várias fases da poesia na sua vida. A primeira começou ainda em Angola, onde nasceu em julho de 1959, no Colégio Augusto Gil era um dos alunos que no primeiro ciclo aprendia a ler poesia. "Ainda hoje sei de cor A Balada da Neve, de Augusto Gil". Desde então a poesia nunca mais largou Nicolau Santos. E o contrário também aconteceu.

Já na universidade, ainda em Angola, e ainda antes de 1974, colaborou com o boletim universitário onde publicava os poetas angolanos como Agostinho Neto, António Cardoso, António Jacinto, Alda Lara, Depois de 1974 passou a organizar um jornal colocado na parede da universidade com recortes de artigos do Diário de Notícias, Expresso e o Comércio do Funchal. "E como estava encarregue responsável pelos recortes comecei também a colocar poemas no jornal".


Depois veio para Portugal em 1975 e foi começando a conhecer a poesia portuguesa da altura, para lá do que já conhecia. Mais tarde, por altura do ano 2000, começa uma nova fase tudo por causa de um poema do poeta "beat" Lawrence Ferlinghetti. A história, longa para estas linhas, resulta num desafio que José Fanha lhe faz; dizer poesia pelas ruas de São João da Madeira."Nunca tinha dito poesia mas aceitei", diz. Daí foi convidado pelo pianista João Balula Cid (1958/2017) a gravar um CD de poesia acompanhado ao piano. "Fizemos o CD que se chama E quase tudo foi possível". Não muito tempo depois o dono da editora onde o gravou, Manuel Lourenço, convidou-o a acompanhar uma banda de jazz com poesia. "E do piano passei para o jazz", conta. Um projeto que tem desde 2006.

A partir daí tem andado por vários locais com concertos, agora interrompidos pela pandemia, e por isso o uso do Instagram para continuar a dizer poemas, seus e de outros, a partir de casa. Acrescenta que anda curioso com a nova geração de poetas portugueses, "sobretudo a que é feita por mulheres".

No dia-a-dia usa a poesia, e também à filosofia, como ajuda. "A poesia resolve-nos problemas complicados quando queremos passar uma mensagem. Diz-se que os poetas têm uns olhos que veem muito longe", sublinha.


filipe.gil@dn.pt

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