Casos sobem na Coreia do Sul ou China. Segunda vaga a caminho?

Numa altura em que a Europa começa a desconfinar, surgem relatos de uma eventual segunda vaga nos países que inicialmente foram os mais afetados pelo coronavírus.

Depois de semanas sem novos contágios de coronavírus ou com casos apenas importados, Coreia do Sul, China ou Irão depararam-se este fim de semana com números que fazem temer uma segunda vaga de covid-19 e que obrigaram a recuar nas medidas de desconfinamento entretanto aplicadas. Mas os sinais dessa segunda vaga não estão só a Oriente. Na Alemanha, a taxa de infeção voltou a subir acima de 1.

Na pandemia de gripe espanhola que começou na primavera de 1918 (terá infetado 500 milhões de pessoas em todo o mundo e causado entre 20 milhões e 50 milhões de mortos), os especialistas dizem que terá havido pelo menos três vagas (há mesmo quem fale em quatro). A segunda, a partir de agosto desse ano, é considerada a mais mortífera, por causa de uma mutação do vírus que se espalhou com o movimento das tropas pela Europa durante a Primeira Guerra Mundial.

E há receio que a situação se possa repetir com o coronavírus. Com milhões de pessoas sem poderem trabalhar e as economias em risco, muitos governos estão a optar por levantar as restrições de forma gradual. Mas numa altura em que a Europa começa a desconfinar, surgem relatos de uma eventual segunda vaga nos países que inicialmente foram os mais afetados pelo coronavírus.

Coreia do Sul

Este domingo, houve registo de 34 casos novos na Coreia do Sul, naquele que foi o aumento mais elevado de casos num mês (durante semanas os aumentos foram inferiores a dez). Destes 34, só dez não estão ligados a um jovem de 29 anos que, na semana passada, esteve em cinco bares e discotecas no bairro de Itaewon, em Seul, e depois acabou por dar positivo para o coronavírus.

Pelo menos 50 pessoas foram infetadas, levando as autoridades da capital e da região a voltar a fechar os espaços noturnos, sendo que se estima que 7200 pessoas tenham estado nos cinco bares e discotecas. O número de contágios deverá por isso subir nos próximos dias, tendo havido um apelo para que quem frequentou os espaços seja testado.

O presidente Moon Jae-in apelou aos sul-coreanos para que continuem vigilantes e disse para se prepararem para uma segunda vaga no outono, enquanto o presidente da câmara de Seul, Park Won-soon, avisou que "um descuido pode levar a uma explosão de infeções".

No início de março a Coreia do Sul era o país com maior número de casos, depois da China onde a epidemia foi detetada pela primeira vez. Agora tem 10 844 casos confirmados e 256 mortos.

China

Wuhan, considerado o berço da pandemia, registou este domingo o primeiro caso de coronavírus em mais de um mês (não havia nenhum desde 3 de abril).

Foi um dos 14 novos casos de covid-19 na China, o valor mais elevado desde 28 de abril, sendo que só dois deles foram importados. Onze casos foram confirmados em Shulan, na província de Jilin (nordeste).

A China começou no final de março a levantar as restrições que tinha decretado para travar a pandemia, que levaram, por exemplo, ao encerramento total de Wuhan e depois de toda a província de Hubei.

O número total de casos detetados subiu assim para os 82 901, não sendo anunciadas mortes por covid-19 há quase um mês. O balanço oficial é de 4633 óbitos.

Irão

Quase um mês depois de ter começado a relaxar as medidas de confinamento, o Irão anunciou este sábado (9 de maio) a morte de mais 51 pessoas por causa do coronavírus. Isso levou as autoridades a recuar na decisão de um regresso ao trabalho faseado, pelo menos na província do Khuzestan (sudoeste, junto à fronteira com o Iraque).

"A decisão não deve ser de modo algum considerada normal", disse o porta-voz do Ministério da Saúde, Kianoush Jahanpour.

"O vírus vai continuar presente", acrescentou. O Irão é o país do Médio Oriente com um maior número de mortos, tendo registado 6 640 desde o primeiro caso a 19 de fevereiro. Em relação aos casos, foram confirmados mais 1383 nas últimas 24 horas, elevando o total para 107 603.

Além da província do Khuzestan, também a capital Teerão está no vermelho no nível de alerta criado para o efeito. Há relato da falta de cuidados básicos para travar o contágio, com pessoas em filas demasiado perto umas das outras e sem máscara, tendo o vice-ministro da Saúde considerado que Teerão era o "calcanhar de Aquiles" do combate ao coronavírus.

Um membro da equipa responsável pelo combate à pandemia disse que "com a abertura das lojas, as pessoas esqueceram os protocolos". Em declarações à agência INSA, Ali Maher indicou que talvez tenha sido "demasiado cedo" regressar à vida normal.

Preocupação no Ocidente

Na Europa, as medidas de confinamento já começaram também a ser aplicadas, mas há sinais de preocupação em vários países.

É o caso da Alemanha, onde se registou no domingo um aumento na taxa de infeção (RO) - o número médio que uma pessoa infetada pode contaminar. Subiu de 0,65 na quinta-feira para 1,01, sendo que o governo tinha dito que este devia ficar abaixo de um para ser seguro.

O Instituto Nacional de Virologia Robert Koch, responsável por monitorizar a evolução da pandemia, reconheceu que ainda era muito cedo para tirar conclusões, mas defende que os números de infeção "devem ser monitorados de perto nos próximos dias".

No domingo, a Alemanha registou 667 novos casos nas últimas 24 horas (para um total de 169 218 casos), ainda assim baixo em comparação à média da última semana. Foram detetados novos focos em lares e na indústria de abate de animais.

Ainda na quarta-feira, a chanceler Angela Merkel tinha dito que a fase 1 da pandemia tinha ficado para trás, com vários estados a anunciar medidas de relaxamento das medidas de confinamento. As autoridades locais concordaram contudo em voltar a travar o desconfinamento se a taxa de infeção subir acima dos 50 casos por dez mil residentes numa semana, o que já terá acontecido segundo o instituto em três distritos.

Em Itália, na sexta-feira, o próprio presidente da câmara de Milão, Giuseppe Sala, veio para as redes sociais criticar os habitantes da cidade que se concentraram na popular zona de Navigli, onde os bares e restaurantes supostamente só podiam atender pedidos de take away,

"Quando se trata de agradecer aos milaneses pelo comportamento virtuoso, eu sou sempre o primeiro a fazê-lo. Gosto disso. Mas há momentos em que temos que nos irritar e este é um deles. As imagens de ontem em Navigli são vergonhosas", lamentou o governante local, num ultimato em que ameaçou fechar a zona caso as imagens de centenas de pessoas na zona a passear e a beber na zona se repita.

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