Governo português tem poder para suspender jogos da Liga dos Campeões

A final a oito da Champions começa na quarta-feira em Lisboa. O Atlético de Madrid foi o primeiro clube a pôr à prova o rigoroso protocolo de segurança da UEFA, que até contempla a possibilidade de cancelamento de jogos.

O Atlético de Madrid está a pôr à prova a organização da UEFA para a final a oito da Liga dos Campeões, que se inicia nesta quarta-feira em Lisboa, com a realização do jogo entre a Atalanta e o Paris Saint-Germain, no Estádio da Luz, que irá definir a primeira equipa a estar presente nas meias-finais.

E tudo porque, na véspera de viajar para Lisboa para disputar a fase decisiva da prova milionária, a equipa espanhola, onde joga o português João Félix, viu dois dos seus jogadores testarem positivo para a covid-19, foram eles o defesa croata Sime Vrsaljko, que recupera de lesão e por isso já não poderia ser utilizado na Champions, e o extremo argentino Ángel Correa, que apesar de estar assintomático fica em isolamento domiciliário.

Bem se pode dizer que, nas últimas horas, soou o alarme na UEFA. Contudo, os últimos testes realizados comprovaram que apenas aqueles dois atletas estão infetados, pelo que os restantes 21 do plantel, bem como mais quatro da equipa B, chegam nesta terça-feira a Lisboa. O Atlético vai fazer os respetivos treinos de preparação no Benfica Campus, no Seixal, ficando instalados num hotel de Lisboa, pelo menos até à hora do jogo de quinta-feira com o RB Leipzig. As equipas que forem sendo eliminadas regressam de imediato aos respetivos países.

Cada equipa tem de ter 13 jogadores disponíveis

O Atlético de Madrid cumpriu entretanto todas as regras do minucioso protocolo elaborado pelos gabinete médico da UEFA, com a colaboração de clínicos de vários clubes. Pois, antes de viajar para Lisboa, enviou para a entidade que organiza a prova os resultados dos últimos testes realizados, algo a que as restantes sete equipas estão também obrigadas. Certo é que os dois jogadores que testaram positivo estão proibidos de viajar para Portugal.

Aliás, a UEFA é muito rígida neste aspeto e no seu protocolo tem bem claro que só no caso de haver menos de 13 jogadores disponíveis é que os jogos não se realizam. No entanto, há aqui uma exceção, pois as autoridades de saúde portuguesas, nomeadamente a Direção-Geral da Saúde (DGS) e o Governo português, têm o poder de suspender um jogo se exigirem que os restantes elementos da equipa com jogadores infetados cumpram um período de quarentena.

De resto, o protocolo elaborado pela UEFA não é muito diferente daqueles que têm sido adotados nas ligas nacionais um pouco por todo o mundo. Os jogos, já se sabe, serão disputados à porta fechada, mas cada uma das oito equipas terá um responsável médico a acompanhar os seus movimentos desde que chegam a Portugal, onde terão de repetir os testes à covid-19 logo após a chegada e antes dos jogos. Quem não fizer esse exame não terá acesso ao relvado e aos balneários dos estádios.

A UEFA recomendou ainda que os presidentes e os dirigentes (um máximo de dez por equipa) não viajem com os jogadores e não tenham contacto com a equipa.

Polícia apela ao distanciamento dos adeptos

Até 23 de agosto, dia em que está agendada a final da Liga dos Campeões no Estádio da Luz, Lisboa será a capital do futebol europeu, onde vão estar algumas das principais estrelas do futebol mundial, entre as quais Lionel Messi, Neymar ou Mbappé, mas também os internacionais portugueses Bernardo Silva e João Cancelo (Manchester City), João Félix (Atlético de Madrid), Nélson Semedo (Barcelona) e Anthony Lopes (Lyon).

Trata-se da principal competição de clubes do mundo, que está a ser preparada com todos os cuidados pela Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), que nesta terça-feira irá anunciar a forma como está a ser montada toda a operação.

Em comunicado, a PSP diz estar empenhada em garantir todas as condições de segurança a todos os adeptos que possam viajar para Lisboa, apesar de os jogos se realizarem à porta fechada. E, tendo em conta a pandemia de covid-19, recorda que "os ajuntamentos não são permitidos por constituírem um potencial foco de contágio de risco muito elevado". Nesse sentido, recomendam a esses adeptos que, em caso de pretenderem comemorar, frequentem locais onde "possam manter permanentemente o distanciamento social".

As autoridades policiais reforçam a intenção de fazer cumprir as recomendações das autoridades de saúde, razão pela qual apelam "a todos para que não considerem o futebol uma exceção às regras de saúde pública", recordando assim o "impacto que o novo coronavírus pode ter na vida de cada um e, consequentemente, de familiares e amigos".

PSG e Atalanta já estão em Portugal

A primeira equipa a chegar a Portugal foi o Paris Saint-Germain, que se encontra no Algarve para preparar o jogo de quarta-feira (12 de agosto) com os italianos da Atalanta, uma das equipas-sensação da Liga dos Campeões, pois vai disputar os quartos-de-final logo no ano de estreia na prova.

Os campeões franceses procuram pela segunda vez na sua história chegar às meias-finais da competição mais importante da UEFA, mas chegaram ao aeroporto de Faro sem o médio Marco Verratti devido a lesão, mas com a estrela Kylian Mbappé, apesar de ainda estar a recuperar de lesão. Quem está fora das contas do treinador Thomas Tuchel é o argentino Angel Di María, que vai cumprir castigo, já para não falar no avançado uruguaio Edinson Cavani, que terminou contrato e é agora desejado pelo Benfica.

Já a Atalanta, está desde esta segunda-feira em Lisboa, estando os treinos agendados para o Estádio Pina Manique, propriedade do Casa Pia. A grande preocupação do treinador Gian Piero Gasperini é a ausência do guarda-redes Pierluigi Gollini, que se lesionou no último jogo da Série A italiana frente ao Inter Milão. Ainda assim, o dono da baliza da equipa de Bérgamo, de 25 anos, viajou para Portugal para acompanhar a equipa neste momento histórico.

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