As novas estrelas de Portugal e França no reencontro após a final do Euro 2016

Neste domingo, o Stade de France volta a ser palco de um duelo luso-francês. Às 19.45, quando o árbitro apitar para o início desta partida da Liga das Nações, terão passado 1554 dias do jogo mais importante e épico da história da equipa das quinas. Ronaldo voltará a ser a estrela maior do encontro e Mbappé o craque gaulês, mas João Félix e Camavinga estão a emergir como os novos talentos das duas seleções.

As mesmas seleções, o mesmo palco, mas alguns protagonistas diferentes. Será assim neste domingo, a partir das 19.45 (RTP 1), 1554 dias depois de o capitão Cristiano Ronaldo ter levantado a taça de campeão da Europa em pleno Stade de France, em Saint-Denis, após vencer a França por 1-0, na final do Euro 2016. Portugal conquistava então o primeiro título internacional da sua história futebolística, de forma épica, numa partida em que ficou sem a estrela CR7 ainda na primeira parte e em que o único golo surgiu a onze minutos do fim do prolongamento num remate cheio de fé de Eder, o jogador que encarna na perfeição a ideia de herói improvável.

França e Portugal reencontram-se agora num jogo a contar para a Liga das Nações, competição cuja primeira edição foi ganha por Portugal. Aquela que foi uma das maiores desilusões da história do futebol francês já foi entretanto diluída, pois em 2018, na Rússia, os bleus sagraram-se campeões mundiais pela segunda vez na sua história. Na prática, o Stade de France vai ser palco, em tempo de pandemia, e por causa disso com pouca gente nas bancadas, do duelo entre as duas seleções europeias que em conjunto detêm todos os títulos possíveis.

Nestes quatro anos e três meses após a final do Euro 2016, os selecionadores Didier Deschamps e Fernando Santos mantêm-se nos cargos, mas já fizeram várias alterações nas respetivas equipas, com as entradas de futebolistas que entretanto se foram destacando e que se juntam às estrelas de 2016: Cristiano Ronaldo do lado português, Griezmann e Pogba do lado francês.

Os principais símbolos da renovação das duas seleções dão pelo nome de João Félix (20 anos) e Eduardo Camavinga (17 anos), embora as duas equipas tenham agora outros craques que já marcaram presença no Mundial 2018, na Rússia, casos de Bernardo Silva e Kylian Mbappé, duas grandes estrelas do futebol mundial na atualidade.

João Félix protagonizou, há pouco mais de um ano, a quinta maior transferência da história do futebol quando o Atlético de Madrid o foi contratar ao Benfica por 126 milhões de euros, e o seu talento já faz que o coloquem num patamar de excelência para o futuro.

O mesmo se pode dizer de Eduardo Camavinga, um médio nascido há 17 anos em Miconje, vila da província angolana de Cabinda, mas que se mudou para França ainda recém-nascido. Optou, por isso, por representar a seleção gaulesa, pela qual se tornou na quarta-feira, frente à Ucrânia, o segundo mais jovem de sempre a marcar um golo pelos bleus (só Maurice Gastiger era 176 dias mais novo, em 1914). Camavinga joga atualmente no Rennes, mas já é seguido pelos clubes mais ricos do mundo, sendo provável que em breve venha a protagonizar uma transferência milionária, à semelhança de João Félix.

Estes dois jovens serão, muito provavelmente, atrações na partida de domingo, pois, tal como diz Olivier Bonamici, jornalista francês da Eurosport radicado em Portugal, serão dois dos melhores talentos produzidos nos dois países. Sendo certo que o talento de João Félix é conhecido dos portugueses, Olivier garante ao DN que "Camavinga é um craque inacreditável e é uma grande prenda para o selecionador Deschamps para o Europeu", que na prática foi obrigado a abrir uma vaga no meio-campo da seleção "já sobrelotado de excelentes jogadores".

Os homens de confiança

A renovação destas duas seleções foi feita, desde o Euro 2016, de forma progressiva, afinal Fernando Santos e Didier Deschamps são "treinadores muito pragmáticos", refere Olivier Bonamici. "Portugal ganhou o Europeu e a França o Mundial, mas os selecionadores foram muito criticados por serem 'resultadistas'", indicou.

Assim, aos poucos foram surgindo nas equipas jogadores como os defesas Lenglet (25 anos) e Upamecano (21), bem como os médios Aouar (22) e Rabiot (25) do lado da França, enquanto Diogo Jota (23), Rúben Dias (23), Trincão (20) ou Rúben Neves (23) começaram a destacar-se em Portugal. Contudo, os dois selecionadores não abdicaram daqueles que são os seus homens de confiança e que os ajudaram a alcançar os títulos que estão a defender.

Ninguém imagina a França neste momento sem o guarda-redes Hugo Lloris, o defesa Varane (não esteve no Euro 2016 por lesão), os médios N'Golo Kanté e Pogba ou os avançados Griezmann, Martial e Giroud. Tal como na equipa das quinas Fernando Santos não dispensa Rui Patrício, Pepe, Raphaël Guerreiro, João Moutinho, Danilo Pereira, William Carvalho e até o jovem Renato Sanches, todos eles importantes na conquista do título europeu, mas também Bernardo Silva (ficou fora do Euro 2016 por lesão) e Bruno Fernandes. É com uma mistura de juventude com futebolistas experientes que Santos e Deschamps têm feito uma renovação sustentada.

Franceses querem vingança

Olivier Bonamici considera que nesta altura as duas seleções estão "equiparadas no talento" que têm ao seu serviço, mas deixa bem claro que "a França, apesar de ter um extraordinário Mbappé, não tem um jogador como Ronaldo", que em sua opinião continua a ser "um génio".

"Portugal ainda depende do Cristiano Ronaldo para chegar longe nas grandes competições, enquanto a França é uma seleção forte que, nesta altura de renovação, levanta algumas dúvidas aos franceses sobre "se Deschamps irá conseguir manter a equipa com uma defesa e um ataque fortes".

Esta será uma dúvida para desfazer na fase final do Campeonato da Europa, que foi adiado para o verão de 2021 por causa da pandemia. Até lá estará em disputa a Liga das Nações, uma competição que "não é muito valorizada pelos franceses". Nesse sentido, garante Olivier, este França-Portugal de domingo no Stade de France não está a ser encarado como uma oportunidade de vingar a derrota na final do Euro 2016. "Os franceses querem vingança, mas neste jogo até podem ganhar por 14-0, que não terá esse sabor. Eles querem vingança num jogo decisivo de um Europeu ou num Mundial", avisou.

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