BE reúne-se em convenção com os olhos postos em 2019

Depois de uma sessão inaugural na noite de ontem, começa hoje a XI Convenção do Bloco de Esquerda. Com as várias tendências unidas em torno da moção A, bloquistas fazem mira às próximas legislativas.

O Bloco de Esquerda reúne-se neste fim de semana em Lisboa para a XI Convenção do partido, a última antes do ciclo eleitoral de 2019.

A discussão estão três moções - a moção A ("Um Bloco mais forte para mudar o país"), que reúne as várias tendências dos bloquistas e as principais figuras do partido; a moção M ("Um Bloco que não se encosta"), crítica do rumo do partido; e a moção C ("Mais democracia, mais organização"), apresentada por um conjunto de militantes da zona de Paredes.

A eleição dos delegados dá uma ideia do peso de cada uma. A moção que tem como primeiros signatários a líder do partido, Catarina Martins, Pedro Filipe Soares (líder parlamentar) e a eurodeputada Marisa Matias elegeu 523 dos 625 delegados ao congresso. Já a moção M elegeu 47 e a C está representada por 12 delegados. Os restantes foram eleitos por plataformas que não apresentam moções.

Cumpridos três anos da geringonça e a um ano do final da legislatura, a governação e as eleições serão dois dos grandes temas do encontro dos bloquistas. Mas não serão os únicos.

Uma convenção a olhar para 2019

Com europeias e legislativas no horizonte, o BE define agora a estratégia para ano eleitoral. "É a última convenção antes de um ciclo político fundamental, a apresentação do Bloco ao país para a disputa das europeias e das legislativas. É um ponto de partida de um Bloco vindo de um ciclo político que é completamente novo na sua existência, uma experiência nova, com uma aprendizagem nova, que não é exclusiva do BE, todos os partidos envolvidos neste acordo foram estreantes", diz Jorge Costa, membro da direção do partido e subscritor da moção A.

A orientação de fundo expressa na moção maioritária à Convenção diz que o Bloco "quer ser força de governo, com uma nova relação de forças". Ontem, em entrevista à agência Lusa, Catarina Martins acrescentou: "Nós só estaremos no governo quando tivermos os votos para estar." Para fazer, nas palavras da moção, o que o "PS recusou fazer, partindo do ponto em que o PS travou, sem tibiezas: relançar a saúde e a escola públicas e a dignidade do trabalho, combater o rentismo e recuperar a propriedade de bens estratégicos na economia e no ambiente". E, em simultâneo, "abrir um processo de alteração dos tratados europeus para a redefinição da política económica e da dívida".

"Sem essa redefinição", diz o documento, "não há espaço para políticas de esquerda".

O balanço da geringonça

Na última Convenção do BE, há dois anos, a geringonça ainda dava os primeiros passos. Agora, prestes a fechar o último Orçamento do Estado, com a legislatura a entrar na reta final, é tempo de iniciar o balanço de uma experiência totalmente inédita na história dos bloquistas. Que é o mesmo que dizer que se vai ouvir o Bloco a reclamar para si muitas das medidas dos últimos três anos.

"Olhamos para o acordo que assinámos e verificamos que, sem ele, não teriam sido garantidos avanços essenciais, o aumento do salário mínimo, o descongelamento das pensões, a tarifa social da eletricidade. Foram coisas que ficaram definidas. E depois, ao longo do caminho, foi possível negociar para além do que estava no acordo inicial", resume Jorge Costa, antes de acrescentar: "É bom lembrar que o cenário macroeconómico de Mário Centeno previa que as pensões continuassem integralmente congeladas. Foi o acordo com o Bloco que permitiu esse descongelamento."

A relação com o PS

"Há talvez setores do PS que consideram que o Bloco de Esquerda pode ser um problema para o objetivo da maioria absoluta e tenham decidido que ganhariam alguma coisa com algum tipo de crispação." As palavras são de Catarina Martins, na entrevista à agência Lusa, e traduzem as crescentes reticências dos bloquistas face ao posicionamento do PS. Que também já estão expressas na moção à Convenção: "O PS tem afirmado as conquistas do diálogo à esquerda, mas o seu congresso realizou uma viragem de discurso, apresentando esta experiência como um parêntesis na história do partido."

Já com o PCP, o Bloco "valoriza um elevado grau de convergência de posições" com os comunistas, e vai dizendo que "a persistência de acusações sectárias não impedirão o Bloco de se continuar a empenhar" no desenvolvimento de convergências e na "recusa do sectarismo entre as esquerdas".

Os equilíbrios internos

Com o partido unido em torno de Catarina Martins e as grandes tendências do Bloco - os fundadores PSR, UDP e Política XXI - agregadas em torno da moção maioritária, o partido apresenta-se à XI Convenção sob o signo da unidade. As vozes dissonantes ficam por conta das moções alternativas, que têm um foco comum - falta democracia à vida interna do Bloco. "Passados 19 anos da sua fundação, o BE mostra-se apenas como partido tradicional e nada como movimento: falta democracia interna, militância significativa e protagonismo das bases, sobra centralização,institucionalização e rotina", diz a moção M, numa crítica acompanhada no terceiro texto a discussão, que aponta que "as decisões no Bloco funcionam sempre de cima para baixo e nunca de baixo para cima". ​​​​

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