Marco Paulo: "Era um espectador atento do Natal dos Hospitais e sou pioneiro"

Marco Paulo foi operado a um cancro da mama, está a retomar a atividade aos poucos. Considera-se um pioneiro do Natal dos Hospitais, dos tempos em que atuava imediatamente antes de Amália Rodrigues, que fechava o espetáculo. Neste ano, como há 20 anos quando teve o primeiro cancro, espera acompanhar em casa e, assim, ter um dia "agradável".

Foi operado em janeiro a um cancro da mama, como é voltar à atividade?
Estou a voltar a pouco e pouco, com esta pandemia é complicado, a prioridade é a saúde, só depois é que podemos pensar em voltar à normalidade.

Tinha um ano de idade quando o DN lançou o Natal dos Hospitais, via antes de participar?
Era um espectador atento e sou pioneiro no Natal dos Hospitais, participo desde que gravei o primeiro disco [1966]. A Dona Amália fechava e eu cantava antes de ela atuar. Só não estive presente quando do primeiro cancro, há 20 anos, vi em casa.
E, quando recuperei, cantei e apresentei um bloco de artistas. Em 2019, ainda consegui participar porque só fui operado em janeiro e comecei a fazer quimioterapia em fevereiro.

Atuou muitas vezes com a Amália Rodrigues?
Fiz muitas tournées pela Europa, eu fazia a primeira parte e a Dona Amália terminava, éramos da mesma editora, a Valentim de Carvalho. Era muito emocionante, tinha acanhamento e a Amália mandava-me chamar para eu ir ao seu camarim. Eu mandava-lhe sempre rosas e, no aniversário, enviava consoante os anos que fazia. Sempre gostei muito da Amália, desde criança, a minha mãe era uma amaliana. Gravei recentemente um programa na Casa da Amália, e estar naquele espaço, foi muito emocionante. Cantei acompanhado só com a viola e a guitarra, o que nunca faço.

O que é que representa participar no Natal dos Hospitais?
É sempre uma festa. Digo sempre "presente": é um gesto de solidariedade para quem está doente, nos hospitais, ausente de suas casas. Gosto participar, dar um pouquinho de alegria e ajudar na recuperação. Quando gravei a música Nossa Senhora, passei a cantar essa canção, é um pedido para ajudar os que sofrem.
É um momento de se sentirem mais acompanhadas, lembradas. É um dia muito especial não só para quem está nos hospitais como nas cadeias, que sei que acompanham.

Quais são os projetos para 2021?
Estou a preparar um disco, que gostaria que saísse no dia dos meus anos [21 de janeiro]. Faço 76 anos, mas para mim são números, não me revejo na minha idade, gosto de festejar. Gosto de tudo o que a vida me proporcionou, além dos meus amigos, vou convidar fãs, pessoas anónimas que sempre me acompanham nos concertos. Lançar um disco era algo que tinha pensando para este ano mas estava na sala de operações no meu dia de aniversário. Em 2021, se a Nossa Senhora me ajudar, vou festejar a cantar, espero que seja no canal onde estou a colaborar.

Foi noticiado que iria participar num programa da SIC, o que é que vai fazer?
Não há programa nenhum. Essas notícias surgiram por causa de uma entrevista com a Noémia Costa, que é uma amiga, uma grande fã, que disse que iríamos fazer dupla, mas não falámos absolutamente nada. Estão previstas participações pontuais minhas, também a gravação de um concerto assim que terminar a pandemia, mas não está nada definido. Digamos que tenho uma colaboração com a SIC.

Fale-nos desse disco.
Vou fazer pela primeira vez um EP, tem quatro temas. aproveitei este tempo de estar em casa para fazer a seleção. Vou ver com a minha editora a possibilidade de poder ceder os royalties desse EP a uma instituição de solidariedade relacionada com o cancro das crianças.

São originais?
Tem um original que se chama Sedutora e três versões, uma delas de Roberto Carlos, Jesus Salvador. É um agradecimento a Deus por me ter ajudado nas doenças: um problema num rim, um princípio de um AVC num concerto, o primeiro cancro, agora este, que espero que seja o último. Não foi fácil, como não foi das outras vezes, em cada uma poderia ter morrido. Também tenho tido médicos, enfermeiros, auxiliares, maravilhosos a cuidar de mim. Pessoas extraordinárias.

Cancelou muitos espetáculos, no seu caso, foi por causa do cancro?
Cancelei muitos espetáculos, mas não foi pela doença, fui logo operado quando o cancro foi declarado. Tinha um concerto no Super Bock Arena que foi adiado para 20 de março de 2021, vamos ver se conseguimos fazer o do Olympia, em Paris. Vou tentar fazer a minha vida, cantar, estar com os meus músicos, sempre que vou à televisão levo os meus músicos, a quem pago. A única pessoa que não é paga sou eu.

Quantas pessoas tem na sua equipa?
É muito grande, em ​​​​​​​concertos de salas grande à volta de cem pessoas, entre técnicos e músicos, na televisão, são sempre oito a dez.

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