A novela AstraZeneca, voltar a "esplanadar" e  Sócrates (quase) ilibado.

A semana que começou com palavras duras de Marcelo Rebelo de Sousa ao governo, viu os miúdos do 5.º ao 9.º ano voltar às aulas presenciais e terminou com Sócrates a ver cair todos os crimes de corrupção. Pelo meio, houve missa online e o choque da morte de Jorge Coelho.

SÁBADO

Costa aumenta distância para Rio. E Marcelo "salvador"

No dia em que o barómetro DN, JN, TSF dava conta de que três meses depois de um primeiro frente-a-frente, António Costa está mais forte, enquanto Rui Rio estagnou, com o primeiro-ministro a conseguir 54% de apoios, enquanto o presidente do PSD se fica pelos 18%, Marcelo fez um ataque duro ao governo. "Já salvei um Orçamento que tinha mais despesas do que receitas. Era fácil matá-lo", lembrou o Presidente da República, num novo episódio da crise dos apoios sociais. Foram as primeiras declarações públicas do PR depois de o governo ter enviado os diplomas que aumentam os apoios sociais para o Tribunal Constitucional e, apesar do lembrete, voltou a garantir: "Não há por aqui nenhuma crise."

DOMINGO

Páscoa "digital" em tempo de pandemia

Com a proibição de circular entre concelhos em vigor até ao final do dia de segunda-feira, para muitas famílias o almoço de Páscoa foi "partilhado" através de um ecrã. Também as cerimónias religiosas se adaptaram ao contexto de pandemia e católicos e evangélicos a celebrar a ressurreição de Cristo com missas e procissões online. Nos eventos que se mantiveram presenciais, o distanciamento social foi palavra de ordem. E para os fiéis que já não conseguiram entrar na missa houve quem como o padre Nuno recorresse aos ecrãs gigantes: o pároco instalou dois nos adros da Igreja de Nossa Senhora do Amparo, em Benfica. "Quem não tem lugar pode assistir na rua", contou ao DN.

SEGUNDA-FEIRA

Miúdos na escola e portugueses voltam a "esplanadar"

Não, não era mentira, a 1 de abril António Costa confirmava que estavam reunidas as condições para avançar com a segunda fase do desconfinamento. E os portugueses começaram a contar os minutos até ao dia 5. Naquela manhã quantos não deixaram os filhos na escola - que recomeçava presencialmente para os alunos dos segundo e terceiro ciclos - e foram a correr até uma esplanada beber um café e comer um croissant? É que podem ter sido os refugiados da II Guerra Mundial a trazer esta inovação - a de servir os clientes no exterior - para Portugal, mas depressa os portugueses se renderam à arte de "esplanadar".

TERÇA-FEIRA

Futuro do nuclear iraniano debatido atrás das cortinas

Diplomatas europeus, da China e do Irão reuniram-se no Grand Hotel de Viena para renegociar o acordo sobre o nuclear iraniano. Em cima da mesa estavam duas questões: o levantamento das sanções impostas pelos EUA a Teerão, por um lado, a redução do enriquecimento de urânio para os níveis previstos, por outro. As negociações prosseguem atrás das cortinas nas próximas semanas, com os europeus a fazerem a ponte na comunicação entre americanos e iranianos. Para já o tom é de otimismo, para tentar salvar o acordo assinado em 2015 e prejudicado pela saída dos EUA (então liderados por Donald Trump) em 2018. Mas ambos os lados sabem bem que o caminho vai ser difícil.

QUARTA-FEIRA

"Amigo de todos", "inteligentíssimo", morreu Jorge Coelho

Após um dia passado à espera de notícias da vacina da AstraZeneca, ao fim da tarde, a morte de Jorge Coelho apanhou Portugal de surpresa. O socialista, que o país guardou na memória como ministro das Obras Públicas que se demitiu após a queda da ponte de Entre-os-Rios porque "a culpa não pode morrer solteira", estava a visitar uma casa na Figueira da Foz quando sofreu um ataque cardíaco fulminante, aos 66 anos. "Amigo de todos nós", para António Costa, "político inteligentíssimo", para António Guterres, em cujo governo foi ministro, Jorge Coelho foi alvo das mais diversas homenagens, também fora do PS, com o líder do PSD, Rui Rio, a saudar uma "pessoa afável".

QUINTA-FEIRA

Vacina da AstraZeneca só para maiores de 60 anos

Depois de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter confirmado uma "possível ligação" entre a vacina da AstraZeneca e a ocorrência de coágulos sanguíneos invulgares que provocaram algumas dezenas de casos de trombose na Europa, 18 dos quais mortais, Portugal juntou-se a outros países europeus na decisão de apenas administrar esta vacina a pessoas com mais de 60 anos. A grande dúvida agora é o que vai acontecer com os 400 mil portugueses que já levaram a primeira dose. O governo está à espera de mais dados para decidir, mas à medida que o tempo passa, os receios vão crescendo, com algumas pessoas a recusar mesmo levar a vacina se for da AstraZeneca.

SEXTA-FEIRA

As mais de três horas em que caíram 25 crimes contra Sócrates

Um atrás do outro. À medida que o juiz Ivo Rosa lia o despacho de instrução, os crimes contra José Sócrates iam caindo. O antigo primeiro-ministro era um dos 28 arguidos na Operação Marquês. Num momento de extrema dureza com o Ministério Público - "pouco rigor", "não há indícios suficientes", "não se percebe como José Sócrates terá influenciado" foram algumas das expressões usadas pelo juiz sobre o seu trabalho -, Sócrates viu cair todas as acusações de corrupção. Será julgado por seis crimes de branqueamento de capitais e falsificação de documentos.

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