Premium Phillipe Garrel: "Sou um marginal, mas isso nunca foi uma escolha"

O novo filme de Philippe Garrel, O Sal das Lágrimas, é um conto de moral com um charme tristíssimo. Em Berlim, o cineasta lendário falou ao DN de assédio sexual, da moral e da perda do pai.

Num mundo de protestos de um feminismo politicamente correto, surge O Sal das Lágrimas, o novo filme do mestre Philippe Garrel, o mais marginal dos cineastas da nouvelle vague, aqui a filmar um triângulo amoroso inter-racial numa Paris contemporânea, onde o protagonista masculino conquista raparigas na rua e é quase orgulhoso no seu carácter de Don Juan. Provocação? Quando o filme passou no Festival de Berlim deste ano, Garrel aceitou falar para o DN ("Conheço muito bem esse jornal", avisou).

"O filme está cheio de coisas autobiográficas. Quando o rapaz segue a rapariga na rua e ela diz na padaria que se ele não parar chama a polícia, é algo que se passou comigo. Eu era um tonto que fazia isso porque acredito que o amor pode acontecer na rua, pode acontecer em qualquer lugar. Se chegarmos ao ponto de já não podermos encontrar uma mulher na rua, então estamos a entrar num extremismo enorme. Jamais podemos tentar evitar que as pessoas façam a corte nas ruas. O amor acontece em todo o lado. Se há coisa que defendo é o amor e as artes. Preciso de ambos, e tentarem colocar o amor numa gaiola é arcaico, sobretudo porque nestas coisas o acaso é o mais importante. O amor não se compadece com quaisquer regras ou regulamentos", comenta o realizador.

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