Mais de um quarto dos trabalhadores têm 20 ou mais anos de casa

Emprego total aumentou apenas 1% em 2019, o pior registo desde 2014, quando começou a recuperação do mercado de trabalho.

No final do ano passado quase 1,3 milhões de trabalhadores estavam na mesma empresa há 20 ou mais anos. É o valor mais elevado desde 2011, quando se iniciou a atual série estatística do inquérito ao emprego, do Instituto Nacional de Estatística.

De acordo com os cálculos do DN/Dinheiro Vivo, mais de 26% da população empregada estava há duas décadas ou mais na mesma casa. Com um valor próximo, só os trabalhadores que estão entre um a quatro anos. Neste intervalo estão 1138 milhões de trabalhadores, correspondendo a 23,2% do total dos quase cinco milhões de pessoas com empregado. Estes dados podem querer dizer que há uma renovação de quadros, mas também a admissão de jovens trabalhadores e do contingente de pessoas que estavam no desemprego.

A perder peso no total do emprego estão os trabalhadores que se encontram entre os cinco e os nove anos na mesma empresa, tendo descido de 17% em 2011 para 14% no ano passado.

Em franco crescimento tem estado o volume de empregados até aos seis meses numa empresa, atingindo no ano passado o registo mais elevado dos últimos nove anos. Em termos relativos, corresponde a 10% da população empregada.

No sentido contrário estão os trabalhadores que se encontram no intervalo entre os 10 e os 19 anos, em que se nota uma quebra de 2018 para 2019. Ou seja, são os empregados que estão perto ou a atingir o meio da carreira. Muitos terão saltado para o escalão seguinte (20 e mais anos), mas outros terão abandonado o mercado de trabalho.

Criação de emprego com o pior registo em seis anos

No ano passado, 4,9 milhões de pessoas estavam empregadas, mais 46 mil do que a 31 de dezembro de 2018. É uma quebra de 64 mil empregos, representando o pior registo desde 2014, quando o mercado começou a recuperar.

A criação de emprego continua, mas o ritmo é cada vez menor e está longe dos valores de 2017, quando foram criados 151,4 mil postos de trabalho. É o melhor resultado desde que há registos, correspondendo a uma variação de 3,3% em relação a 2016.

Em janeiro deste ano, "a estimativa provisória da população empregada, verificou um acréscimo de 0,2% tanto em relação ao mês anterior como ao mesmo mês de 2019 (11,2 mil e 11,3 mil, respetivamente), tendo diminuído 0,2% (8,4 mil) relativamente a três meses antes (outubro de 2019)", refere o INE nas estimativas mensais de emprego divulgadas no final de fevereiro.

O ano passado terminou com uma taxa de desemprego de 6,7%, mas, de acordo com os primeiros dados, em janeiro poderá ter ocorrido uma nova subida para os 6,9%. Ou seja, 358,6 mil pessoas sem emprego contra as 349,4 mil em dezembro de 2019.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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