Exclusivo De Deus ao veto aos casamentos gay. Putin refaz Constituição em tempo recorde

Desde o anúncio da reforma constitucional até ao texto ser aprovado nas urnas devem passar pouco mais de quatro meses. Segundo os especialistas ouvidos pelo DN, o objetivo de Putin é agarrar-se ao poder ou desarmar rivais.

Em janeiro, o presidente russo, Vladimir Putin, surpreendeu ao anunciar que queria alterar a Constituição, gerando rumores de que está a preparar o seu futuro para lá de 2024, quando acaba o mandato. Entre as propostas que fez está a transferência de alguns dos poderes do chefe de Estado para a Duma (a câmara baixa do Parlamento), assim como dar novo fôlego ao Conselho de Estado, um órgão consultivo que criou em 2000 e que tem atualmente pouca influência, mas cuja presidência pode querer continuar a assumir quando deixar o Kremlin. Nesta semana, Putin apresentou 24 páginas de emendas ao texto que os deputados já aprovaram numa primeira votação e que vão validar numa segunda leitura na terça-feira. Entre elas, inclui -se a introdução de uma referência a Deus, a restrição do casamento à união entre um homem e uma mulher ou a proibição de entrega de território russo.

"Todas estas emendas são claramente demagogia, populismo, e servem para distrair a atenção das pessoas", disse ao DN o jornalista e historiador José Milhazes, que viveu mais de quatro décadas em Moscovo. "A questão de Deus e uma grande parte das emendas servem para obrigar as pessoas a não ficar em casa no dia da votação." Depois de ser aprovado pela Duma, o texto vai ser posto à consideração dos russos que, a 22 de abril, devem dizer "sim" ou "não" à nova Constituição. "Esta votação, a que o Kremlin não chama referendo, é uma espécie de referendo à política de Putin", defendeu Milhazes, alegando que depois de 2024 "vamos ter a continuação do putinismo, com ou sem Putin. Vamos ter a continuação do regime, de forma a que mesmo que não esteja Putin, haja um sistema que garanta o regime atualmente existente".

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