Premium Paulo Rangel: "Com esta crise está em causa a própria sobrevivência da UE"

O eurodeputado do PSD e vice-presidente do PPE afirma, em entrevista ao DN, que Portugal vai entrar numa "situação crítica" do ponto de vista económico na sequência da crise sanitária. Apoia a postura de Rui rio, mas aponta erros ao governo. E diz que a União Europeia pode mesmo desaparecer se os Estados-membros não se entenderem para um plano financeiro justo para todos. Paulo Rangel está "pessimista".

O PSD fez 46 anos num contexto muito adverso e era fundamental o principal partido da oposição afirmar-se. Rui Rio optou por uma cooperação como governo, no contexto da pandemia. Concorda com o posicionamento do líder do PSD nestes dois meses?
Sim, concordo. Acho que é uma forma de afirmação do PSD muito forte e talvez mais forte do que se fizesse uma oposição sistemática e sem critério, que nem sei que sentido teria. Numa situação destas é evidente que, especialmente os responsáveis de partido e nomeadamente o líder têm de ter uma posição destas. E eu julgo que isso está a ser muito reconhecido pelos portugueses. Tem mais reconhecimento por parte dos cidadãos e dos eleitores aquele líder que atua responsavelmente, de acordo com a situação de crise grave que vivemos do que com aquele que atua como se isso não estivesse acontecer. Sob esse ponto de vista isto é uma forma de afirmação muito mais presente e eficaz do que seria uma oposição quotidiana e sistemática e não criteriosa. Apesar de tudo Rui rio tem feito criticas bastante incisivas; nas questões económicas tem sido bastante claro; foi uma das pessoas que mais forçaram o estado de emergência, que António Costa não queria, teve uma visão crítica sobre o 1.º de Maio; sobre as questões económicas, nomeadamente sobre o pagamento de dívidas, sendo que uma das primeiras propostas que o PSD fez foi a do seu pagamento para injetar liquidez nas empresas e que não teria consequências no défice porque eram compromissos já assumidos. E depois disso tem sido crítico sobre as ajudas à comunicação social, na questão do lay-off tem sido contundente. A linha é de cooperação para solucionar os problemas, mas isso não impediu a critica. A ideia que há uma postura acrítica é errada.

Uma recente sondagem mostrava, no entanto, o reforço da popularidade de António Costa e um certo apagamento de Rui Rio.
Em toda a Europa, praticamente sem exceção, os governos e os seus líderes estão com o quota de popularidade altíssima e isso é perfeitamente natural numa altura destas. A avaliação das prestações políticas, seja de partidos seja de respetivos líderes, não pode ser feita numa altura como esta. Só quando as coisas passarem é que será possível fazê-la, mas mesmo assim a apreciação da conduta do líder do PSD é elevadíssima junto da população. Digo isto por contacto empírico.

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