Exclusivo Sérgio Godinho: "Ainda hei de escrever sobre as minhas prisões no Brasil"

É o terceiro livro de Sérgio Godinho. Estocolmo trata da ambiguidade nas relações, neste caso de uma mulher que rapta um jovem. Um tema que o fez ponderar escrever sobre o tempo em que esteve preso no Brasil.

Vai-se a meio do novo romance de Sérgio Godinho e surge a seguinte afirmação: "Somos todos cúmplices de vários crimes." Sentiu-se um criminoso ao escrever este livro é a primeira pergunta ao autor de Estocolmo, que se defende dizendo que "esta é a fala de uma personagem". No máximo, o autor aceita ser um "criminoso benigno", mas a razão de se "sentir" assim deve-se às suas incursões repetidas na ficção narrativa. O regresso à escrita tem alguns anos, recorda, e "com uma continuidade consistente", ou seja, diz, elevando o grau da sua "criminalidade": "Já sou um serial killer, se formos por aí."

A frase que dá início à entrevista é depois explicada deste modo: "É o que diz o diretor à jornalista numa conversa em que acusa a profissional de não ser a guardiã-mor da deontologia por ter dado uma fake new no noticiário que apresenta." Estocolmo, no entanto, ainda é do tempo em que as fake news não eram grande notícia, apenas serve de pretexto para a ação do romance: "A intenção não é falar desse tema, antes tem que ver com a vida estranha que a protagonista está a viver." Mas essa praga que invadiu a comunicação social não deixa de ser criticada pelo autor: "Tudo depende do meio de comunicação. Há noticiários que não são inventados de cabo a rabo, contudo existem certos jornais e televisões que usam à exaustão assuntos que não estão totalmente provados." Especifica: "Por isso é que há desmentidos e estão a passar-se coisas muito estranhas num certo jornalismo, até alimentadas por fugas de informação de entidades que deveriam manter o segredo de justiça. Ou seja, aqui também cúmplices."

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