Vitória de Costa confirma PS como partido excecional num centro-esquerda em crise

Só o triunfo de Mette Frederiksen na Dinamarca no verão desempatou o duelo entre o número de primeiros-ministros socialistas e o de coroas na União Europeia. Agora é 8 a 7.

Pode até ter exagerado o The Guardian quando falou de Portugal como "o farol da social-democracia europeia", mas a verdade é que com a vitória deste domingo, António Costa, com perto de 37% dos votos, confirma-se como um dos mais importantes líderes do centro-esquerda da União Europeia, onde a contar com o português só há oito primeiros-ministros desta área política, que no Parlamento Europeu junta socialistas, sociais-democratas e trabalhistas. Aliás, se não tivesse sido a vitória deMette Frederiksen já neste verão na Dinamarca, os chefes de governo rosa seriam tão minoritários como o são as monarquias no quadro da União Europeia, apenas sete em 28 Estados membros.

Dos chamados cinco grandes da Europa (seis se incluirmos a Polónia), apenas a Espanha conta neste momento com um primeiro-ministro socialista, Pedro Sánchez, vencedor das legislativas de abril com 23% dos votos, insuficientes para formar governo, e daí nova ida às urnas já em novembro. É certo que em outros dois dos grandes da União Europeia, Alemanha e Itália, o centro-esquerda tradicional também participa no governo, mas como parceiro júnior, no primeiro caso em franca queda eleitoral e no segundo tentando aproveitar uma crise política à direita para fazer milagres com os escassos 22% que obteve nas eleições do ano passado.

Os perto de 37% de votos do PS reforçam o protagonismo de Costa no seu campo político, pois destacam-se também no panorama geral. É certo que em 2017, no Reino Unido, o Partido Trabalhista, embora perdendo para os conservadores, obteve 40%, mas todas as sondagens mostram que em novas eleições obterá muito menos, com Jeremy Corbyn a pagar pela sua indecisão sobre como lidar com o Brexit. E os 55% do Partido Trabalhista maltês, de Joseph Muscat, contam pouco dada a dimensão do seu país, o mais pequeno dos 28 tanto em área como em população.

Portugal e Espanha, Malta, também Eslováquia e Roménia, e depois o bloco composto por Dinamarca, Suécia e Finlândia. Ora, para se perceber a excecionalidade da força eleitoral do PS, nada como olhar para o trio nórdico. Nestes países que, sim, muito mais do que Portugal, costumam ser apontados como o farol da social-democracia europeia, Mette Frederiksen é primeira-ministra, mas obteve apenas 21,5% em junho, Antti Rinne governa na Finlândia, mas o seu partido ficou-se pelos 17,7% nas últimas eleições, e Stefan Löfven lá conseguiu 28,3%, que parece bom mas está muito longe dos mais de 50% que os sociais-democratas suecos chegaram a obter e mesmo dos 40% ou mais que registaram durante quase todo o século XX.

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