Dragão heroico garante apuramento para os 'quartos' da Champions

O FC Porto venceu a Roma por 3-1. Um penálti marcado por Alex Telles no prolongamento garantiu a quarta presença portista nesta fase da prova, além de 10,5 milhões de euros. Os cofres portistas já encaixaram mais de 78 milhões.

Heroico. O FC Porto garantiu nesta quarta-feira o apuramento para os quartos-de-final da Liga dos Campeões, ao vencer a AS Roma por 3-1. Mas foi preciso um prolongamento e muito sofrimento para conseguir a qualificação, cujo golo decisivo só chegou aos 117 minutos, num penálti descortinado pelo VAR, que Alex Telles finalizou com a frieza que se exigia.

O golo do brasileiro fez rebentar a festa no Estádio do Dragão, afinal o clube não só atingiu esta fase da prova pela sexta vez desde o início do formato Champions como arrecadou ainda 10,5 milhões de euros, atingindo um bolo total de 78,45 milhões de euros só em prémios.

A tarefa dos dragões não era fácil. Vinha de uma derrota caseira com o maior rival, Benfica, que tinha custado a liderança da I Liga, e estava obrigado a vencer a Roma, depois de ter perdido na primeira mão no Estádio Olímpico por 2-1. Estaria a equipa de Sérgio Conceição em condições psicológicas de responder à altura dos acontecimentos? A resposta foi sim, como está bom de ver.

Brahimi no banco. Corona a acelerar à esquerda

Sérgio Conceição surpreendeu ao deixar Brahimi no banco de suplentes, lançando Otávio no seu lugar, naquela que foi a mais inesperada alteração em relação ao jogo com o Benfica. Já esperados eram os regressos de Éder Militão, Danilo Pereira e Soares ao onze. No entanto, a maior surpresa terá mesmo sido a presença de Jesús Corona como extremo-esquerdo, o que causou muitos estragos na estratégia dos italianos, que mexeram na sua estrutura habitual (4x3x3) e apresentaram-se com um 3x4x3 que, face à pressão dos dragões, os obrigou a jogar com cinco defesas...

A chave deste jogo começou por ser o flanco esquerdo dos portistas, onde Corona e Alex Telles faziam o que queriam do lateral holandês Karsdorp, que nunca se entendeu sobretudo com as fintas e mudanças de velocidade de Corona. Os dragões procuravam construir o seu futebol ofensivo através das diagonais de Otávio da direita para o meio e da ação de Herrera, que iam aproveitando a passividade do meio-campo romano na zona central do meio-campo e procuravam invariavelmente lançar Marega e Soares na profundidade.

Soares abre a porta, mas De Rossi fechou-a

Os dragões foram criando diversas situações perigosas e adivinhava-se que o golo acabaria por surgir, o que aconteceu aos 26 minutos, quando Marega recuperou a bola e trocou-a com Corona, cabendo ao maliano cruzar rasteiro para o desvio de Soares. Estava feito o primeiro e o FC Porto estava em vantagem.

A Roma era uma equipa muito inconsequente no ataque, com Dzeko entregue à sua sorte. Só que o golo parece ter tido um efeito negativo nos dragões, com alguma precipitação na saída de bola que permitia aos romanos aproximarem-se da baliza de Casillas. E foi num desses lances que Éder Militão derrubou Perotti na área, permitindo ao capitão Daniele De Rossi empatar o jogo e colocar os italianos de novo na frente da eliminatória. A porta do apuramento que Soares tinha aberto voltava a fechar-se.

Agora, o FC Porto precisava de dois golos para seguir em frente... as dificuldades aumentavam. Isto apesar de a Roma ter chegado ao intervalo com apenas um remate enquadrado com a baliza, contra oito dos portistas.

O foguete Marega

O início da segunda parte é marcado por uma avalancha ofensiva dos portistas, com um futebol sempre em velocidade e à procura dos espaços concedidos pelos romanos no último terço do campo. Soares e Marega fizeram as primeiras ameaças, até que aos 53 minutos Marega surgiu de rompante, como um foguete, na área a finalizar um cruzamento largo de Corona, o maliano marcava pela sexta vez consecutiva na Champions e batia a marca de Jardel. Explodia de alegria o público que enchia o Dragão. A eliminatória estava empatada e faltava apenas um golo para que o sonho se tornasse realidade.

A Roma, que já tinha perdido o capitão De Rossi e estava um pouco à deriva na partida, só o desacerto do ataque do FC Porto em finalizar as jogadas de ataque ia adiando o que parecia inevitável. A equipa de Eusebio Di Francesco vivia muito da qualidade técnica de Dzeko no ataque, que mostrava uma enorme capacidade de segurar a bola e procurar os companheiros vindos de trás, mas a pontaria dos italianos estava muito desafinada.

Aos 69 minutos, Sérgio Conceição surpreendeu toda a gente ao tirar Corona, que estava a ser um dos melhores em campo, para colocar Brahimi, mas a verdade é que o FC Porto não perdeu intensidade e até ao final do tempo regulamentar Robin Olson acabou por ser decisivo ao negar o terceiro golo aos dragões por um par de vezes, razão pela qual o prolongamento foi inevitável.

Dragão entre sustos e a festa

No tempo extra notou-se algum cansaço dos dois lados. Marega começou por desperdiçar uma excelente oportunidade na sequência de um excelente cruzamento de Alex Telles, mas depois disso o jogo ficou partido, com a bola a andar rapidamente de uma área à outra, o que se tornava bastante perigoso para o FC Porto.

Os 111 e 112 minutos foram autenticamente dramáticos no Estádio do Dragão, com Dzeko, pois claro, a estar muito perto do golo, primeiro com um remate por cima, só com Casillas pela frente, e depois num lance em que picou a bola por cima do guarda-redes espanhol, valendo Pepe a tirar a bola quase em cima da linha de golo. Eram as grandes oportunidades da Roma em todo o jogo.

A resposta portista foi fatal. Fernando Almeida caiu na área após um remate de Maxi Pereira que saiu para fora. O árbitro ia mandar jogar mas o VAR entrou em ação. E, após alguns minutos de suspense, Cünet Çakir mandou marcar penálti. Alex Telles assumiu a responsabilidade e bateu Robin Olsen. Os dragões estavam finalmente na frente da eliminatória, só precisavam de segurar o 3-1 durante três minutos, mais os eventuais minutos extra.

O tempo parecia ter parado no Dragão, sobretudo quando o VAR voltou a entrar em ação num lance em que Zaniolo caiu na área portista... Não era penálti, disse o árbitro, e os portistas suspiraram de alívio. Podiam finalmente festejar, quatro anos depois o FC Porto chegava aos quartos-de-final da Liga dos Campeões. Há já três potenciais adversários, Manchester United, Ajax e Tottenham... mas há outros tubarões à vista.

Regressou da China, onde recuperou em tempo recorde de uma lesão muscular. Não esteve ao seu nível no jogo com o Benfica, mas bem se pode dizer que a Roma pagou a fatura. O maliano esteve imparável. Construiu o primeiro golo, de Soares, e foi ele próprio, com uma entrada fulgurante na área, devolver a esperança aos portistas ao marcar o segundo golo. Foi um autêntico pesadelo para a defensiva romana, embora com o senão de ter perdido algumas oportunidades para aumentar a vantagem. É verdade que Marega terá de dividir os louros da sua exibição com Jesús Corona, que durante o tempo que esteve em campo ajudou, e de que maneira, a desequilibrar a defesa adversária.

FICHA DO JOGO

Estádio do Dragão (49029 espectadores)
Árbitro: Cüneyt Çakir

FC Porto - Casillas; Éder Militão (Maxi Pereira, 103'), Felipe, Pepe, Alex Telles; Otávio (Hernâni, 93'), Danilo Pereira, Herrera, Jesús Corona (Brahimi, 69'); Soares (Fernando Andrade, 78'), Marega
Treinador: Sérgio Conceição

AS Roma - Robin Olsen; Manolas, Juan Jesus, Marcano (Cristante, 76'); Karsdorp (Florenzi, 56'), De Rossi (Lorenzo Pellergrini, 45+5) (Patrick Schick, 96'), Nzonzi, Kolarov; Perotti, Dzeko, Zaniolo
Treinador: Eusebio Di Francesco

Cartão amarelo a Zaniolo (15'), Herrera (18'), Danilo Pereira (45'+2) Karsdorp (55'), Pepe (57'), Dzeko (58'), Lorenzo Pellegrini (81'), Florenzi (117'), Alex Telles (119')

Golos: 1-0, Soares (26'); 1-1, De Rossi (37' gp); 2-1, Marega (53'): 3-1, Alex Telles (117' gp)

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