Exclusivo Sílvia criou uma aplicação para mudar a vida dos cegos, mas falta-lhe um investidor

Chama-se Avatag e é uma aplicação que permitirá aos cegos identificar produtos, detergentes, medicamentos e muitas outras coisas, através da leitura de símbolos com código, pelo telemóvel. O projeto de Sílvia Machado, que foi também ela afetada pela cegueira já em idade adulta, foi contemplado pelo programa Portugal Inovação Social, mas ainda não chegou ao mercado porque lhe falta um investidor que sustente 30% dos 140 mil euros necessários.

A vida de Sílvia Machado é uma espécie de ensaio sobre a cegueira, sem o romantismo de um livro de Saramago. Porque a dela é real e irreversível. Aos 43 anos, desenvolveu uma aplicação que permitirá, através do telemóvel, identificar alimentos, roupas, medicamentos ou detergentes, facilitando a vida a milhares de pessoas em Portugal - e a milhões no mundo inteiro. Mas depois de ver aprovado o seu projeto pelo programa Portugal Inovação Social, esbarrou na falta de um investidor que sustente os 30% que lhe faltam para tornar real esta ferramenta.

Sílvia tem 43 anos, mora em Aveiro e vive com os dois filhos pequenos (uma menina de 4 e um menino de 10 anos). A cegueira aconteceu já na idade adulta, quando o diagnóstico de um médico especialista lhe ditou o destino: Stargardt, uma doença degenerativa da mácula. Foi antes dos 30, antes de tudo mudar. "Eu já conduzi. Gostava muito de conduzir. Talvez seja das coisas de que sinto mais falta", conta ao DN, numa manhã chuvosa que transformou Aveiro numa cidade-estaleiro difícil de percorrer para um deficiente visual. À hora marcada, Sílvia engana-se na morada da (nova) biblioteca municipal e só lá chega com a ajuda de um estranho. Já sentada, desfia as contas desse rosário que é a vida dela, desde que foi perdendo a visão. Antes licenciou-se em Artes Plásticas na Escola Superior de Arte e Design das Caldas da Rainha. Nasceu numa aldeia dessa região oeste.

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