Como concretizar os desejos para o ano novo?

Com as 12 passas ou sem elas, a maior parte de nós formula desejos para o novo ano. Desejos que, não raras vezes, se repetem no ano seguinte. Alguns repetem-se porque são desejos, diríamos, eternos, como "ter saúde", "ser feliz" ou "ganhar o euromilhões". Muitos outros, porém, repetem-se ano após ano porque não os conseguimos concretizar. É sobre estes últimos que vamos falar.

Formular desejos é saudável e muito positivo do ponto de vista do crescimento individual, na medida em que traduz a existência de objetivos e metas pessoais. Significa que queremos mudar ou alcançar algo, promover determinadas competências ou resolver algumas dificuldades. Mas, para que estes desejos se realizem, há algumas regras a seguir.

Antes de mais, é importante ser realista e reconhecer que as metas não se alcançam por magia. Não basta desejar, ainda que seja com muita intensidade. É preciso muito mais do que isso.

Vamos ver algumas regras de ouro.

A primeira regra a seguir é definir objetivos que dependam, acima de tudo, de nós próprios. Porque se aquilo que desejamos depende de terceiros ou da sorte... nesses casos pouco ou nada poderemos fazer, pois não temos o controlo da situação. Por exemplo, "quero encontrar o amor da minha vida" ou "quero que o meu chefe seja mais justo".

Assim, para aumentar a probabilidade de sucesso, é importante que os objetivos definidos possam, em alguma medida, depender de nós. Ao mesmo tempo, que sejam realistas e exequíveis. Se o grau de complexidade for muito elevado, podemos dividir o todo em pequenas partes, como se déssemos pequenos passos, um de cada vez. E avançamos por aproximações sucessivas, de forma gradual. E lembre-se: a cada passo dado, reforce-se! Elogie-se a si mesmo pelo esforço e a perseverança.

É também importante antecipar eventuais dificuldades. Com que obstáculos poderemos deparar-nos? E, nesse caso, o que podemos fazer? E se não conseguirmos sozinhos, a quem poderemos pedir ajuda?

Outra regra relaciona-se com a variável tempo. As mudanças demoram tempo porque falamos de processos, tantas vezes com avanços e recuos, e recuar não significa necessariamente voltar à estaca zero. Recuar pode ser extremamente importante para a consolidação das mudanças.

Para facilitar o processo, pegue num papel e numa caneta e responda a estas questões:

1. O meu desejo/objetivo/meta é ...

2. Significa que eu gostaria de que ... acontecesse.

3. Para que isto aconteça, o que é que EU posso fazer?

4. Vou tentar dividir em pequenos passos. Primeiro posso tentar ... depois tento ...

5. Que dificuldades consigo antecipar?

6. Se estas dificuldades ou obstáculos surgirem, o que posso EU fazer?

7. A quem posso pedir ajuda?

Pensar de forma mais sistematizada, planear os passos a dar e antecipar as eventuais dificuldades ajuda-nos a progredir com maior sensação de controlo e perceção de autoeficácia. Pedir ajuda e envolver a nossa rede de apoio social é fundamental para nos sentirmos mais apoiados. E mesmo que alguns desejos sejam mais difíceis de alcançar, desistir não é opção.

Vamos tentar?

Psicóloga clínica

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