Premium Ali sabe tudo em Alfama

Dono de um minimercado no mais lisboetas dos bairros de Lisboa, o paquistanês que ajudou os vizinhos nos anos duros da troika ressente-se da saída dos antigos moradores da zona e talvez seja o único benfiquista insatisfeito com o retorno de Jorge Jesus à Luz.

No mais lisboetas dos bairros de Lisboa, é por trás do balcão do minimercado que o paquistanês AliAlfama desfilar à sua frente. Shahzad Muhammad recebeu a alcunha de um morador, incapaz de pronunciar o seu nome. Isto foi há cerca de duas décadas, não sabe bem, não é lá muito bom com datas. "Não tenho problema em ser o Ali. Estou feliz com isto", diz, requentando o bordão que usa com frequência, enquanto enfia no saco azul de plástico verduras, frutas, doces, sabonetes, champôs, detergentes, bebidas, umas entre tantas mercadorias que compõem a miríade de produtos a penderem das gôndolas, desafiando os limites da gravidade, com os rótulos coloridos das embalagens a darem forma de mosaico à caótica decoração da loja.

Era no minimercado de Ali que fazia as compras quando vivia em Alfama. Um incêndio no prédio onde morava tirou-me da zona, mas sempre que volto sou recebido com mais entusiasmo do que no sítio onde estou, em Alvalade. Numa dessas visitas, Ali chamou-me no canto da loja e, ainda em relação ao incêndio e visivelmente consternado, quis saber se havia conseguido salvar das chamas o dinheiro que mantinha guardado sob o colchão. Uma pergunta que, afinal, dizia mais sobre ele, já que não costumo guardar dinheiro no colchão.

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