O dragão paciente soube como matar o leão faminto

Dragões foram a Alvalade vencer o Sporting, por 2-1, em jogo da 15.ª jornada da I Liga. Desde 2002-03 (com Mourinho) que a equipa portista não vencia nos dois principais campos rivais (Luz e Alvalade).

O clássico correspondeu às expectativas (mais na segunda parte, é certo). O FC Porto entrou melhor e soube sofrer na segunda parte até reagir e vencer em Alvalade (2-1), algo que já não acontecia desde 2008. Serve de elogio à equipa de Silas as declarações de Sérgio Conceição, que no final do jogo admitiu que o jogo com o Sporting foi "o mais difícil da época". Declarações que também valorizam a atuação dos portistas, que voltaram a ficar a quatro pontos do líder Benfica, que no sábado venceu em Guimarães. A luta pelo título fica cada vez mais reduzida a dois, com o Sporting a descer para quarto lugar (com a vitória do Famalicão) e já a 12 pontos do segundo lugar e a 16 do primeiro.

Silas adivinhou os pensamentos de Sérgio Conceição. O técnico leonino tinha previsto que Danilo ia ser titular no meio-campo portista e assim foi. O capitão do FC Porto esteve em dúvida até à hora do jogo, mas alinhou de início, tal como Nakajima. Do lado leonino, o onze esperado para a partida. Em relação ao último encontro dos leões (Portimonense), Luiz Phellype entrou para o lugar de Rafael Camacho. Quanto à baliza, manteve-se nas mãos do jovem Maximiano, que neste domingo fez 21 anos. O jovem guardião foi protagonista nos momentos iniciais, vítima de um erro da sua linha defensiva. Aos seis minutos de jogo, um passe longo e espetacular de Corona surpreendeu a defensa do Sporting e só Marega percebeu a intenção do colega de equipa. O maliano apareceu na cara de Maximiano a desviar a bola e ficou a vê-la entrar na baliza leonina.

O golo deu ao FC Porto a tranquilidade necessária para pegar no jogo. O Sporting ficou intranquilo e os muitos passes falhados foram um exemplo disso. O jogo passou então por uma fase "quentinha" a fazer lembrar outros tempos da rivalidade entre leões e dragões, que já foi mais vincada. Acuña e Uribe deram um cheirinho de raça sul-americana ao clássico num lance disputado ao limite. O nervosismo leonino durou pouco. A equipa de Silas aproveitou os momentos de frisson para inquietar a defesa portista. Bolasie ainda pediu uma grande penalidade aos 22 minutos, mas o árbitro mandou jogar.

O Sporting subiu de rendimento e trouxe ao de cima as dificuldades de comunicação no corredor esquerdo do FC Porto. Alex Telles foi constantemente surpreendido por Ristovski e Bolasie, tendo de recorrer ao canto por mais de uma vez. Valia aos portistas a rápida reação à perda da bola, mas isso era pouco para conter a impulsão leonina, que aos 44 minutos chegou ao empate. Uma perda de bola de Marchesín acabou numa jogada de transição rápida concluída por Acuña.

Sporting melhor, FC Porto paciente e eficaz

O intervalo chegou com as equipas empatadas. Adivinhava-se mais emoção e também melhor futebol para o segundo tempo. Se a primeira parte começou com um golo do FC Porto, a segunda iniciou-se com um forte aviso do Sporting. Aos 49 minutos, Vietto furou a defensiva portista e rematou ao poste! Um lance perigoso que, em caso de golo, poderia ser alvo de muita discussão de café. Tudo porque um bombeiro entrou em campo durante a jogada para retirar uma tocha arremessada da bancada. O árbitro Jorge Sousa avisou-o para não repetir...

Os leões acreditavam que podiam dar a volta e por pouco não o faziam num cabeceamento de Luiz Phellype.

Bolasie passou a ter um papel importante na estratégia de Silas. O médio leonino passou a vigiar ainda mais de perto as subidas de Alex Telles, que, já amarelado, mais condicionado ficava. Desta forma, era mais difícil fazer chegar a bola a Marega, até porque Otávio esteve menos efusivo e criterioso no passe do que é habitual, antes de deixar a linha e passar a ter mais bola no meio.

O empate não servia os interesses de ninguém e as equipas foram obrigadas a arriscar mais, abrindo o jogo. Percebeu isso a equipa leonina, que cada vez mais mostrava querer ganhar o jogo. Bruno Fernandes falhou o alvo por pouco, Vietto também. Eram demasiadas ameaças para o gosto de Sérgio Conceição, que resolveu mexer no jogo e meter Luis Díaz no lugar de Nakajima. Uma substituição que levou Marega a descair para cima de Acuña. Foi assim que os dragões começaram a construir a vitória...

Depois vieram ao de cima as habituais fragilidades leoninas nas bolas paradas. Foi num canto que os dragões voltaram a mandar no jogo. Um golo contra a corrente do jogo. Soares subiu sem oposição para fazer o 2-1 aos 74 minutos. O segundo golo portista era um bom prenúncio. O FC Porto não marcava dois golos em Alvalade desde 2008, ano da última vitória dos dragões em casa dos leões.

E, um minuto depois do golo, Luis Díaz teve a oportunidade de matar o jogo, mas, isolado, não conseguir bater o aniversariante Maximiano. O final do jogo foi eletrizante. O Sporting ainda teve a oportunidade de empatar - um cabeceamento de Coates bateu na trave - e o FC Porto esteve mais uma vez perto do terceiro - Maximiano impediu o golo a Luiz Díaz. O resultado não sofreu alterações e permitiu a Sérgio Conceição festejar a primeira vitória em Alvalade, após sete jogos, enquanto treinador.

A vitória em Alvalade voltou a mostrar a capacidade portista nos campos rivais. Desde 2002-03, com José Mourinho, que os dragões não venciam em Alvalade e na Luz na mesma época.

VEJA OS GOLOS

FIGURA
Acuña

Num jogo com muitas exibições que privilegiaram o coletivo em prol do individual, tanto do lado dos dragões (Soares, Danilo, Marega, Corona e Luis Díaz) como do lado dos leões (Coates, Vietto, Bolasie e até o jovem Maximiano), Acuña foi o que mais se destacou. Não só pelo golo do empate que deu alento ao Sporting para o segundo tempo, mas também pela entrega que colocou nos duelos e condicionou Nakajima. E pelas incursões no ataque. O defesa argentino serviu Luiz Phellype, Bruno Fernandes e Vietto para o golo... mas eles desperdiçaram a oferta. Valeu o esforço do melhor em campo.

FICHA DE JOGO

Jogo realizado no Estádio José Alvalade, em Lisboa.

Sporting - FC Porto, 1-2.

Marcadores: 0-1, Marega, 6 minutos; 1-1, Marcos Acuña, 44'; 1-2, Soares, 73'.

Equipas:

Sporting: Luís Maximiano, Ristovski (Rafael Camacho, 79), Coates, Mathieu, Marcos Acuña, Doumbia (Gonzalo Plata, 79), Wendel, Bruno Fernandes, Bolasie (Jesé Rodriguez, 86), Vietto e Luiz Phellype.

Treinador: Jorge Silas.

FC Porto: Marchesín, Corona, Pepe (Mbemba, 24), Marcano, Alex Telles, Otávio (Sérgio Oliveira, 86), Danilo, Matheus Uribe, Nakajima (Luís Diaz, 66), Marega e Soares.

Treinador: Sérgio Conceição.

Árbitro: Jorge Sousa (AF Porto).

Ação disciplinar: cartão amarelo para Matheus Uribe (17'), Marcos Acuña (22'), Alex Telles (29'), Bruno Fernandes (36'), Marcano (68'), Doumbia (71'), Soares (74'), Wendel (78'), Otávio (82') e Jesé Rodriguez (90'+4').

Assistência: 41 247 espectadores.

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