RES: República, Ética, Sustentável

Celebramos hoje a Implantação da República em Portugal com um sabor agridoce, porque há sempre dois lados da mesma moeda e porque a bela e jovial imagem do busto da República Portuguesa talvez não corresponda à realidade outonal dos 111 anos do regime que substituiu, em 1910, a secular e conservadora monarquia.

Agridoce pela (quase) vitória sobre a pandemia covid-19, graças à taxa de vacinação de cerca de 85% da população e ao trabalho incansável dos profissionais de saúde e de todos os que asseguraram serviços essenciais para o povo português. Agridoce também pelas marcas de um duro combate de ano e meio que causou perdas irreparáveis ou cicatrizes na vida das famílias, nas empresas, na política, na cultura e em praticamente todas as dimensões da nossa vida como comunidade e nação com perto de 900 anos de história.

R de República. Celebrá-la hoje é homenagear os cidadãos e as cidadãs que não baixaram os braços em plena pandemia. R é também de regeneração, seguida de crescimento. R será ainda de remodelação do governo, após aprovação do Orçamento do Estado (OE) 2022? Talvez, seguida de redefinição das linhas mestras políticas que nos irão guiar nos próximos dois anos de legislatura.

E de ética republicana, que não é património exclusivo de republicanos ou de monárquicos, nem da esquerda ou da direita. Ética é sinónimo de valores de integridade, seriedade, entrega e humildade democrática que nos devem reger enquanto cidadãos. Infelizmente, a falta de ética é visível em diversas instituições, empresas e outras organizações, mas os atos (pouco éticos) ficam sempre com quem os pratica.

No dossiê anticorrupção que o DN tem vindo a publicar ao longo da última semana, e que continuará a trazer à estampa, temos visto e analisado como a falta de ética política, por exemplo, tem penalizado o país e a sua imagem e reputação no exterior.

S de sustentabilidade do planeta, mas também do sistema de representação política, tal como o conhecemos neste último trimestre de 2021. É sustentável manter ministros ou secretários de Estado ou representantes do povo quando não estão à altura dos cargos ou não assumem as responsabilidades e os erros ou quando usam abusivamente os lugares que ocupam efemeramente? Não, não é.

É tempo de regenerar, com ética e com sustentabilidade, já a pensar nos próximos 111 anos.

Nesta linha, e acima de tudo, é fundamental termos em mente, neste dia e nos que se lhe seguirão, o que significa a res publica, a coisa pública. Sublinhá-lo para não esquecermos nunca, cidadãos e decisores, que é do povo que emana o poder que é depositado nas instituições e órgãos de decisão - e não o inverso, como por vezes alguns parecem acreditar.

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