Exclusivo Mário Soares. Em busca do romance perdido

A Imprensa Nacional começará neste ano a publicar as obras completas do político que foi tudo em Portugal. Serão revelados centenas de textos inéditos. Falta encontrar o romance que Soares escreveu - mas nunca publicou.

Foi algures nos anos 60. Mário Soares (1924-2017) é preso de novo (foi-o doze vezes durante a ditadura). Aproveita então para ensaiar uma incursão na ficção literária, escrevendo um romance. Intitulou-o Concordata, uma história, utilizando a sua experiência de advogado, à volta da proibição do divórcio que vigorava no Estado Novo para os casamentos católicos. Já fora da cadeia, fez então o teste. Reuniu num serão em Lisboa dois amigos - o escritor Carlos Oliveira (1921-1981) e o historiador Joaquim Barradas de Carvalho (1920-1980) -, para lhes ler um capítulo e perceber a sua avaliação. A qual encarou com bonomia.

A leitura acabaria com o escritor e o historiador a... dormirem. Talvez isso tivesse acontecido porque tinham acabado de jantar. Mas para Soares foi o suficiente: com bom humor fez notar que aquela reação fora a suficiente para concluir que ficção literária não era para ele. E arquivou o manuscrito. Disso há praticamente a certeza: não o deitou fora. Porque Soares - cujos dois anos da morte se assinalam na próxima segunda-feira, dia 7 - passou uma vida inteira, desde pelo menos o fim da adolescência, a acumular papéis. Não deitava nada fora.

Mais Notícias

Outras Notícias GMG