Exclusivo Se Veneza morrer

"Não se pode morrer sem se ver Veneza", escreveu um tio meu num postal para casa, há muitos anos, em embriaguez total de Sereníssima. As circunstâncias da vida acabariam por me dar, a dada altura, o grato encargo de ter de ir regularmente até lá, o que, sem jamais me ter permitido decifrar a cidade e o seu enigma (coisa de que nem os próprios venezianos se podem orgulhar), me aperceber, horrorizado, do ritmo em que a sua degradação tem vindo a ocorrer.

Até pelas características da sua implantação, Veneza degrada-se praticamente desde que foi fundada (e aí reside, aliás, um dos seus maiores encantos). O que tem acontecido nos últimos tempos, porém, tem tal envergadura e substância que faz pensar que, antes de morrermos nós sem ver Veneza, morrerá Veneza diante dos nossos olhos. É possível.

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