Exclusivo Vítor Rodrigues: "Há muitos diagnósticos precoces de cancro que não estão a ser feitos"

Na semana em que denunciou que mais de mil cancros terão ficado por identificar desde o início da pandemia, o presidente da Liga Portuguesa contra o Cancro reforça ao DN a importância de retomar a atividade dos centros de saúde, sobretudo para cancros como o colorretal e o do colo do útero. Vítor Rodrigues integra o grupo de peritos europeus para o rastreio do cancro, é professor de Epidemiologia e Saúde Pública na Universidade de Coimbra e acredita que estaremos "entre a segunda e a terceira" das quatro fases de uma pandemia. Sublinha a importância de envolver o setor privado neste combate, para evitar o colapso.

Que impacto está a ter a pandemia nos rastreios feitos pela Liga Portuguesa contra o Cancro?
Temos três tipos de rastreios para a liga: cancro da mama, colo do útero e colorretal. No caso da mama, norte, centro, Lisboa e vale do Tejo e Alentejo, é feito pela Liga, em articulação com as administrações regionais de saúde [ARS], e no Algarve com outra associação oncológica. Na Madeira e nos Açores é feito pelo governo regional. O que aconteceu foi que todas as regiões pararam a 13 de março e estivemos três meses parados. Neste momento a participação é de 80% a 85% do que era dantes, sendo que a taxa de participação era de 70%, das mulheres convocadas, em cem mulheres iam 70 e agora vão 56. Depois há variações regionais.

E quantos casos de cancro detetam, normalmente?
São detetados aproximadamente 2,5 cancros por cada mil mulheres rastreadas. Quer dizer que devido à paragem em todo o lado teremos 240 cancros que não foram diagnosticados por rastreio. No caso do norte (que parou mais três meses) serão menos 250.

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