Bolsas sobem com convicção de vitória de Biden

O maior receio dos investidores é semelhante ao de todos: que um resultado das eleições pouco claro possa acabar em disputas.

As bolsas europeias fecharam na terça-feira no máximo da última semana, animadas com as perspetivas de uma vitória de Joe Biden nas presidenciais nos EUA e também a anteciparem uma possível "onda azul", com os democratas a ficarem com o controlo do Senado e da Câmara dos Representantes. Wall Street também seguia com essa tendência altista ontem, à hora do fecho.

Na Europa, o índice de ações STOXX 600 subiu 2,3% enquanto em Lisboa o principal índice bolsista, o PSI-20, subiu 0,73%. Nos EUA, perto do fecho, o S&P 500 subia 2,31%.

Mas os investidores também se mantêm cautelosos, uma vez que a surpresa vivida nas últimas presidenciais - com a inesperada vitória de Donald Trump, em 2016 - pode repetir-se, ainda que por uma margem mais apertada. Essa perspetiva tem sido espelhada pelos índices que medem a volatilidade em bolsa, mas a sua concretização não origina, ainda assim, um cenário verdadeiramente negativo - mesmo porque os números da economia americana têm mostrado vigor, com um crescimento recorde anunciado na semana passada: uma subida superior a 30% em setembro, relativamente ao trimestre anterior.

Vença quem vencer, os mercados têm como acomodar fatores positivos. Mau mesmo - e é esse o maior fator de desconto - será se os resultados eleitorais forem pouco claros, com a instabilidade e a contestação que já muitos antecipam a invadir as ruas em tumultos violentos protagonizados pelos apoiantes do candidato derrotado. "Mau mesmo é haver rejeição das eleições", confirma Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros. "O mercado o que mais teme é que o resultado não seja claro e que haja lugar a disputas", salienta.

Ainda assim, a perspetiva para as ações parece ser, para já, positiva. "Provavelmente para os mercados, em termos de estímulos fiscais, ambos os candidatos na corrida à Casa Branca podem criar condições para prolongar a tendência altista das ações que se iniciou em março. Ambos têm em mente uma política orçamental expansionista para apoiar a economia e que poderá suportar os mercados financeiros", acredita Paulo Rosa, economista sénior do Banco Carregosa.

"Os investidores estão confortáveis com os dois candidatos. Biden sempre liderou as sondagens, desde janeiro, e é conhecido por querer aumentar os impostos sobre as mais-valias bolsistas - e o mercado nunca foi penalizado por isso", adianta. O economista lembra ainda que "a futura administração dos EUA irá estar muito mais disposta do que nunca a usar a política orçamental para estimular a economia". "A promessa de Biden de investir cerca de 2,5 triliões de dólares em energia limpa e infraestruturas nos próximos cinco anos espelha esse mesmo facto. Mesmo que o presidente Trump seja reeleito, a sua política também será expansionista via corte de impostos adicionais, embora o impulso líquido seja menor do que o plano de Joe Biden."

As bolsas sofreram na semana passada a pior semana de sempre desde março. Os índices europeus foram penalizados pelo reforço de medidas dos governos no âmbito da epidemia do novo coronavírus - e em Portugal o governo avançou com o pedido de novo estado de emergência para reforçar as medidas que afetam alguns setores de atividade, como o da restauração. Mas as medidas foram menos negativas do que o esperado pelos analistas, que antecipavam que o país seguisse a linha de outros países que estão a impor mesmo confinamentos de vários níveis à população.

Jornalista do Dinheiro Vivo

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