Lisboa Capital Verde: uma cidade a pedalar pelo futuro

Apesar dos contratempos devido à pandemia, a metrópole conseguiu fazer avançar projetos na área da sustentabilidade que a preparam para melhor enfrentar os desafios ambientais.

Lisboa foi a primeira cidade do sul da Europa a conquistar o galardão Capital Verde, atribuído anualmente pela Comissão Europeia, sucedendo a Oslo, na Noruega. O anúncio chegou em 2018, mas foi no início de janeiro deste ano que arrancou, oficialmente, a programação do projeto Lisboa Capital Verde Europeia 2020. Exposições, debates, iniciativas e compromissos fizeram parte do reforço da aposta da autarquia alfacinha rumo à sustentabilidade ambiental. "Um dos grandes objetivos era que as pessoas não se esquecessem de que temos de atingir metas importantes em termos ambientais para 2030-2050", explica ao DN José Sá Fernandes.

Em parte, a responsabilidade pela atribuição do prémio deve-se ao trabalho desenvolvido ao longo dos últimos 12 anos pelo vereador do Ambiente, Energia e Clima. O investimento progressivo da câmara municipal na melhoria das condições de mobilidade na cidade, na expansão dos espaços verdes e na poupança energética foram fatores decisivos durante a análise da candidatura ao European Green Capital Award. "Lisboa foi a primeira capital na Europa a assinar o Novo Pacto de Autarcas para Mudanças Climáticas e Energia em 2016, depois de alcançar uma redução de 50% nas emissões de C02 (2002-14); reduzir o consumo de energia em 23% e o consumo de água em 17% de 2007 a 2013", escrevia o júri no relatório final. Sá Fernandes lembra que foi graças à "evolução" e à "credibilidade" que a cidade venceu o título europeu.

Apesar do entusiasmo do vereador sobre a programação prevista neste âmbito, "a pandemia inviabilizou uma série de coisas", nomeadamente discussões sobre questões ambientais que o responsável diz serem fundamentais. "Não há debate sem informação", diz.

O projeto Capital Verde foi relançado em maio, altura em que a autarquia reforçava o anúncio de crescimento da rede de ciclovias e da inauguração de novos jardins. Este último objetivo, aliás, foi sendo conquistado com a plantação sucessiva de espécies autóctones em várias zonas da cidade, que deverá ter, em 2021, mais de cem mil novas árvores.

Francisco Ferreira, presidente da ZERO, diz ao DN que a componente ligada aos espaços verdes "correu bem" e acrescenta o desempenho positivo da câmara "na área das energias renováveis e do planeamento em relação às alterações climáticas". Por outro lado, lamenta a estagnação da iniciativa da Zona de Emissões Reduzidas (ZER). "A ZER tem neste momento menos ambição do que quando foi criada", afirma. Em causa está a implementação de uma zona na Baixa-Chiado praticamente livre de emissões de CO2 e quase sem trânsito automóvel que não saiu, ainda, do papel. José Sá Fernandes explica que "a pandemia teve imensa influência" nessa suspensão para não agudizar os efeitos económicos sentidos pelos comerciantes, mas atesta que "o projeto não está na gaveta".

Utilização eficiente de recursos

A obra de transformação da Praça de Espanha num dos maiores jardins de Lisboa é uma das bandeiras da autarquia na expansão da mancha verde na cidade.

De acordo com dados do executivo camarário, 85% dos lisboetas vivem a menos de 300 metros de espaços verdes, mas o vereador do Ambiente quer garantir que "a Capital Verde não acaba neste ano" e permitir que, a curto prazo, "todas as pessoas tenham um parque verde de média dimensão a 300 metros de sua casa".

Mas a sustentabilidade é muito mais do que árvores e jardins. Já neste ano, a câmara deu um passo importante no plano para a reutilização de água com o crescimento da Rede de Água Reutilizada para a zona ribeirinha e Bairro Alto. O projeto prevê que, até 2025, o município consiga poupar três milhões de metros cúbicos de água potável, representando cerca de 75% do consumo atual. A reciclagem de um dos mais importantes recursos naturais permite alimentar os sistemas de rega, lavagem das ruas e refrigeração de indústrias sem desperdício. "[O objetivo] é possível, vamos atingi-lo facilmente", afirma convictamente Sá Fernandes.

A mobilidade é outra das áreas prioritárias. Em Lisboa, o caminho rumo à sustentabilidade é cada vez mais percorrido com recurso à rede de bicicletas partilhadas GIRA - que conta, atualmente, com mais de 80 estações e 600 veículos, números que deverão duplicar até ao verão - e com a ajuda dos mais de 90 quilómetros de ciclovias disponíveis. Para fomentar o abandono progressivo do automóvel e trocá-lo pelas duas rodas, a autarquia criou um apoio para a aquisição de bicicletas para os munícipes, que acumula com o programa do governo, e que continuará em 2021.

Até agora, foram apoiadas mais de 2700 candidaturas no valor de 512 mil euros. Para o próximo ano, a ZERO espera que a Câmara Municipal de Lisboa avance com a expansão da ZER e que tenha uma "posição mais proativa em relação ao aeroporto e aos voos noturnos". José Sá Fernandes garante ao DN que a empreitada pela sustentabilidade vai continuar, sendo a próxima década decisiva para fazer de Lisboa um modelo para o mundo.

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