Carlos do Fado. Uma marca que canta Portugal nunca morre

O homem começou por ter instintos; quando evoluiu passou a ter sensações; e, quando se apurou, passou a ter sentimentos. O sentimento é aquilo que nos comove, mas é, sobretudo, aquilo que nos move, é o poder criador e edificador. Nós, portugueses, somos de sentimentos. Somos afetivos, apaixonados, românticos, e o nosso verdadeiro fado não é fatalismo, não é o conformismo, não é o destino que nos está traçado. O fado é a luta e não a espera de que a sorte nos aconteça.

O fado não se explica, sente-se. Não se conta, canta-se e não se acompanha com palmas, como sempre fazia questão de lembrar Carlos do Carmo.

A origem do fado, contudo, remonta ao lundum afro-brasileiro, música erótica e dançada, que os Descobrimentos trouxeram ao sabor do vento e do mar, com a alegria de chegar e a saudade de partir.

O fado é partida, sentimento intenso, alma do nosso povo; é de Lisboa (a menina e moça do Carlos), mas é a canção de Portugal.

É a afirmação da nossa identidade que, percorrendo a história, se fixou num estilo único, resultante de um acumulado de experiências, processos e formas de estar portuguesas.
Severa deu-lhe o mito, Amália deu-lhe o género, vestiu-lhe o xaile, o preto, as velas, e cantou-o pelo mundo, e o Carlos deu-lhe um Grammy e elevou-o a Património da Humanidade.

O fado é hoje um monumento vivo, uma música nossa, única, criadora de riqueza, motivo de orgulho de todos os portugueses; um ícone da nossa língua, da nossa cultura e da nossa contemporaneidade, uma grande marca de Portugal no mundo.

Carlos do Carmo mostrou-nos como se vive esta, segundo ele, "doença incurável" que traz a alma à boca, pela qual se vive e com a qual se morre.

Carlos não foi um fadista, foi uma orquestra de sentimentos amplificados numa personalidade organizada pelo vício do fado que lhe corria nas veias. O fado era para si um edifício de intensidade e profundidade histórica de um dos países mais antigos do mundo, do qual o Carlos soube sempre ser uma das vozes mais edificantes.

Carlos do Fado, como ouso chamar-lhe, cantava "os fados são as paixões, são as vontades", e nós seremos sempre, como canta a Mariza, a gente da sua terra.

O fado está triste mas firme; o Carlos viveu-o com intensidade e agora partiu como uma grande marca, que cantando Portugal nunca morre.

Especialista em marcas. Presidente da Ivity Brand Corp

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