A beleza de derrotar fascistas!

Adaptando o título do atualíssimo texto de Tiago Rodrigues, abordo o tema da necessidade de travar a marcha à extrema-direita e dos caminhos para fazê-lo.

Duas constatações iniciais. A primeira é a de que a extrema-direita é um instrumento de recurso de um sistema dominado por grandes grupos de poder económico, quando quer tentar absorver a indignação e a revolta popular com políticas que, década após década, aumentaram as desigualdades, perpetuaram a exploração e atrasaram o desenvolvimento. A segunda é a de que a aproximação da direita tradicional à extrema-direita, que está também a acontecer em Portugal, é uma constante da história contemporânea.

Há duas formas (pelo menos) de reagir à intervenção histriónica da extrema-direita, aliás ampla e desproporcionadamente reproduzida pela maioria dos meios de comunicação.

Uma delas é responder permanentemente aos dislates e provocações daquele setor, alimentando ainda mais o seu discurso. Não significa isto que algumas questões não exijam rejeição clara e imediata, mas a polémica sistemática faz lembrar a frase muito conhecida "nunca lutes com um porco; ficas sujo e ele gosta". Na verdade, há quem o faça, mesmo à esquerda, para garantir a sua própria promoção mediática, desprezando o facto de que isso também ajuda o extremismo de direita. É uma opção.

Julgo, contudo, que a forma de combater o discurso de extrema-direita é falar aos que se encontram suscetíveis a acolhê-lo. Os que continuam a viver com salários baixos e a empobrecer trabalhando, enquanto o orçamento sustenta desvarios de banqueiros e faturas de erradas privatizações; os que tiveram de emigrar em consequência de políticas antissociais de Passos Coelho e companhia; os que esperam pelo acesso à saúde ou a um apoio social; os que se indignam com a promiscuidade entre o poder político e o poder económico.

E não basta falar-lhes. É preciso pôr em prática políticas que rompam de facto com as opções estruturais de política de direita que há décadas desgovernam o nosso país.

A extrema-direita não tem para oferecer senão o maior agravamento das desigualdades e da exploração, acrescentando traços de racismo, xenofobia e intolerância, anticomunismo e perversão das regras democráticas.

O melhor antídoto para o seu crescimento é uma política que garanta mais justiça e igualdade, acesso a serviços públicos de qualidade, salários e reformas dignos, lisura no exercício dos cargos públicos. É aí que encontraremos a beleza de derrotar fascistas!

Presidente da Câmara Municipal de Loures

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