Premium "Não pusemos os ovos no mesmo cesto, não nos transformámos todos em guias turísticos"

Neta de mariscadores da ilha da Culatra, Sílvia Padinha é produtora de ostras e dirige a associação que lutou para os moradores terem direito às condições básicas de vida. Chamam-lhe "presidenta da Culatra".

Nasceu no meio do peixe e do marisco, em casa, era Culatra uma ilha isolada e muito distante dos 20 minutos de barco que a separam atualmente de Olhão. Não estudou quando queria por falta de condições. Seguiu o sonho em adulta, inscreveu-se na universidade, mas foi impossível conciliar trabalho, associativismo e estudos, quando as aulas terminam à noite e já não há barco regular para a ilha. É produtora de ostra, uma unidade familiar que explora com o filho. Preside à Associação de Moradores da Ilha da Culatra, na linha da frente e a lutar por água, luz, escola, médico, assistência social. Não suporta injustiças e sempre acreditou que ia conquistar direitos para a população. Quer, agora, que percebam que também têm deveres. Proteger a ria Formosa, preservando o seu meio ambiente.

Nasceu na Culatra há 54 anos, em casa, a ilha estava assim tão distante do resto do país?
Estávamos completamente isolados. Havia uma parteira, que era a madrinha de todos, foi a minha madrinha/parteira que assistiu a minha mãe. Nasci em fevereiro e, nesse mês, o tempo não facilita no mar. Os barcos eram instáveis, a remo, acabei por nascer em casa, tem muito que ver com as condições de transporte e o tempo.

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