Exclusivo O medo aqui tão perto

O clássico M - Matou, de Fritz Lang, persiste como um testemunho perturbante da Alemanha do começo da década de 1930, ao mesmo tempo que a sua abordagem do medo continua a ecoar nos espectadores que somos.

Reencontrei, há dias, a imagem de Peter Lorre, interpretando o assassino de crianças na obra-prima de Fritz Lang M - Matou (1931), o seu primeiro filme sonoro. A partir do momento em que, num espelho, vê que alguém desenhou a letra "M" nas costas do seu sobretudo, a personagem de Hans Beckert descobre-se habitada por um medo radical. Porquê? Porque sabe assim que outras personagens já pressentiram a sua condição de assassino ("Mörder") e, mais do que isso, porque uma simples letra o transformou em símbolo ambulante dos seus próprios crimes.

O medo de Beckert é um fascinante objeto narrativo. E, não tenhamos dúvidas, um instrumento fulcral no edifício moral de Lang, aliás expondo uma ambivalência dramática que iria contaminar vários títulos admiráveis do seu período em Hollywood, incluindo Fúria (1936), O Segredo da Porta Fechada (1947) e A Verdade e o Medo (1956).

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