Exclusivo Com ou sem pandemia, "a vida sem ciência e sem arte não é uma vida plena"

O DN desafiou a cientista Maria do Carmo Fonseca e o diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, Tiago Rodrigues, para uma conversa sobre ciência e arte. Que papel ocupa cada uma na condição humana? Eles aceitaram, e num final de tarde, no Salão Nobre do D. Maria, durante quase hora e meia falaram da vida, de liberdade e criatividade, de conhecimento e ética, de responsabilização e política, de desafios e futuro.

"Vergonha é julgar que se sabe tudo. Vergonha é não saber que se pode saber sempre mais, é não ser capaz de repetir com Garcia de Orta que 'o que sabemos [é] uma pequena parte do que ignoramos' . Nenhum homem ou mulher com uma formação científica pode afirmar que sabe sem dúvida". A frase é da cientista Maria de Sousa, um dos primeiros rostos a sucumbir à infeção pelo novo coronavírus no início da pandemia. Maria de Sousa, médica, bióloga, poetisa, humanista, era um dos nomes que transportava em si a bagagem do saber e a do sentir, da ciência e da arte. Talvez por isso um dos nomes atirados para cima da mesa pelos nossos entrevistados quando se mistura ciência e arte. Maria de Sousa, como quase sete mil outras pessoas, foi vítima da pandemia. Que papel teve a ciência que tanto amava durante este período? Foi uma ciência ganhadora? E a arte? Que papel teve num país obrigado a confinar? E o futuro, o que vem aí?

Maria do Carmo Fonseca, médica, cientista, professora catedrática, ex-diretora executiva do Instituto de Medicina Molecular e o ator, dramaturgo e diretor artístico Tiago Rodrigues aceitaram o ​desafio do DN para conversarem sobre tudo isto. Em maio, já tinham aceitado escrever uma Carta Aberta às gerações mais novas e às mais velhas, ambos lançaram hinos de esperança. Agora, o presente está presente e o futuro antevê-se. A pandemia vem marcar gerações, vem acelerar mudanças e Maria Do Carmo Fonseca, de 61 anos, espera viver até ao momento em que o mundo assista aos efeitos da computação mecânica e confessa que a grande marca da pandemia foi perceber que, como cientista, podia deixar de fazer viagens de avião em trabalho e poupar o planeta. Tiago Rodrigues, de 43 anos, quer continuar a ser um aprendiz, como defende que todos o deveríamos ser, mas na pandemia assumiu um compromisso e assume-o: "Comprometi-me com o espaço selvagem, com a floresta, com o natural."

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