Portugueses já compram mais carros a gasolina do que a gasóleo

Emissões adiam compra de automóveis novos de particulares e empresas. Mercado desceu pela primeira vez desde 2012.

Os portugueses já compram mais carros a gasolina do que a gasóleo. A tendência inverteu-se pela primeira vez no ano passado por causa da descida do valor de mercado dos diesel. Em 2019, os carros a gasolina representaram 49,2% do mercado de ligeiros de passageiros; os veículos a gasóleo baixaram de 53,25% para 40%, segundo os números divulgados ontem pela Associação do Comércio Automóvel de Portugal (ACAP). É preciso recuar a 2003 para que a gasolina represente mais carros vendidos do que o rival diesel. A incerteza sobre o valor e o prazo de vida dos motores a gasóleo, motivada pelas medidas dissuasoras do combustível, ajuda a explicar este comportamento.

"Com a discussão em torno do diesel e das restrições de circulação nas cidades, gera-se um adiamento das opções de compra dos particulares e das empresas", justifica Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP. Os consumidores também fazem as contas à avaliação dos automóveis: "É muito difícil comprar um carro a gasóleo por causa do diminuto valor residual. Isto pesa muito mais do que a consciência ambiental", acrescenta Alexandre Ferreira, da ANECRA, que representa os comerciantes.

Com esta incerteza, os carros híbridos, elétricos ou a gás natural representaram 10,8% do mercado automóvel no ano passado. Entre os veículos alternativos, nota para o impulso dos carros totalmente elétricos, que ficaram com 2,7% do mercado total de automóveis em 2019: foram vendidos 7096 veículos sem emissões, mais 75,3% face a 2018.

A Tesla liderou a tabela de vendas neste segmento, ao vender 1979 veículos. A marca liderada por Elon Musk conquistou os portugueses sobretudo com o Model 3, o primeiro veículo de larga produção. A Nissan, habitual líder nesta motorização, desceu para a segunda posição, com 1759 carros elétricos vendidos. O parceiro francês Renault ficou com a terceira posição, tendo registado 1107 matrículas.

Tesla, Nissan e Renault, juntas, concentraram mais de dois terços das vendas deste tipo de automóveis em Portugal. 2019 foi o primeiro ano completo em que passaram a ser pagos os carregamentos nos postos de carregamento rápido.

Mercado total desce

No total, os portugueses compraram 267 828 veículos, representando uma quebra de 2% face às vendas de 2018. Foi a primeira quebra registada desde 2012. A Renault foi a marca mais comprada pelos portugueses, com 29 014 unidades, apesar do recuo de 7,1. Peugeot e Mercedes ficaram em segundo e terceiro lugares, respetivamente.

As maiores subidas de vendas no ranking da ACAP pertenceram à Hyundai (mais 33,4%, para 6144 unidades), à Smart (27%, para 4071 unidades) e à Jeep (24,3%, para 1801 carros). Em sentido contrário, as maiores quebras foram registadas por Alfa Romeo (-49,9%, para 552 unidades), Nissan (-32,1%, 10 233 unidades) e Land Rover (-24,4%, 582 unidades).

No ano que se encerrou, foram vendidos um total de 262 253 carros ligeiros (-2% face a 2018) e de 5575 veículos pesados (-1,2% face a 2018).

Nos carros de luxo, destaca-se a Lamborghini, que passou de sete para 19 carros vendidos; pela negativa, nota para a Maserati, que encolheu para ligeiramente menos de metade, de 36 para 17 unidades.

Diogo Ferreira Nunes é jornalista do Dinheiro Vivo

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