Nove mil milhões de euros até outubro. Empréstimos para compra de casa em máximos apesar da crise

Os portugueses endividaram-se em mais de nove mil milhões de euros até outubro em empréstimos à habitação. Condições favoráveis de crédito e concorrência entre bancos ajudam a explicar a procura.

Em ano de crise económica, os portugueses contrataram mais de nove mil milhões de euros em crédito para a compra de casa, entre janeiro e outubro deste ano. Trata-se do valor mais alto da década e é explicado pelas condições favoráveis nas ofertas de crédito por parte dos bancos, segundo dados do Banco de Portugal. O montante representa um aumento de 545 milhões de euros face aos dez meses de 2019, e é explicado, na maior parte, pelos três primeiros meses deste ano, que registaram uma procura robusta de empréstimos para compra de casa.

"É de destacar que, mesmo em contexto de pandemia, o crédito hipotecário continua dinâmico", afirmou Filipe Garcia, economista da IMF-Informação de Mercados Financeiros. "As condições muito favoráveis de concessão de crédito é o principal fator", adiantou. Também o facto de a pandemia ter levado ao recurso generalizado ao teletrabalho "pode ter levado a uma procura de casa por parte de algumas pessoas". "Houve muita gente que aumentou o seu rendimento disponível, por via de uma redução de despesas", salientou. "Mas o mais importante é a oferta, não é a procura", destacou.

Segundo o Banco de Portugal, "nas novas operações de empréstimos a particulares para habitação, a taxa de juro média desceu cinco pontos base, para 0,87%, um novo mínimo histórico, pelo terceiro mês consecutivo".

Nos empréstimos ao consumo, a taxa de juro média diminuiu para 6,43% e, nos empréstimos para outros fins, aumentou para 3,76%. Em setembro, estas taxas tinham sido de 6,63% e 3,20%, respetivamente.

Só no mês de outubro, os novos créditos à habitação subiram para 976 milhões de euros, um aumento face aos 970 milhões de euros registados em setembro e face aos 956 milhões de euros observados no mesmo mês de 2019, segundo dados divulgados ontem pelo Banco de Portugal.

Este cenário contrasta com o recurso às moratórias por parte de muitas famílias. A crise provocada pelas medidas adotadas pelo governo no âmbito da epidemia levaram muitas famílias a recorrer à suspensão do pagamento das prestações do crédito hipotecário, uma medida que irá estar em vigor até ao fim de setembro de 2021.

No total, as famílias endividaram-se em mais 14 528 milhões de euros até outubro, menos 1,1% do que em igual período do ano passado.

Crédito ao consumo cai

No caso dos novos empréstimos para consumo, houve uma quebra de 15,5% até outubro, face a igual período do ano anterior. Os portugueses contrataram 3615 milhões de euros em crédito ao consumo nos dez meses de 2020, que compara com 4283 no período homólogo de 2019.

No mês de outubro, os portugueses contrataram 391 milhões de euros deste tipo de crédito, contra 388 milhões de euros no mês anterior.

O crédito para outros fins também sofreu uma quebra, de 2%, para 1840 milhões de euros. No mês de outubro, o valor deste tipo de empréstimos ascendeu a 156 milhões de euros, que compara com 183 milhões de euros em setembro e 226 milhões de euros no mesmo mês de 2019.

No mês de outubro de 2020, os portugueses endividaram-se em 1524 milhões de euros no total, abaixo dos 1709 milhões de euros registados no mês homólogo do ano anterior.

Elisabete Tavares é jornalista do Dinheiro Vivo

Mais Notícias

Outras Notícias GMG