Conselho de Segurança

Quer na guerra de 1914-1918, quer na de 1939-1945, os EUA vieram lutar e morrer pela Europa e não por um Estado determinado. Por seu lado, os soviéticos tinham vindo combater os agressores considerados capitalistas e não os nacionais de um país enumerado: a referência da identificação do tremendo conflito era o nazismo alemão. Os Estados Unidos tiveram vários presidentes com lugar ganho pela sua formação nacional, e pela concretização do seu conceito estratégico nacional de conteúdo variável, o que implicou reformular a Europa que perderia ser a do colonialismo, tinham sucessivamente definido, na sua doutrina nacional, a ilegalidade de que qualquer Estado europeu pretenderia regressar a qualquer das suas colónias do continente americano, o que não impediu que a unidade ocidental e atlântica tivesse expressão, que a juventude americana viesse a enfrentar e sofrer o conflito gravíssimo da última grande guerra e que americanos, ilustres pela capacidade de estadistas, tenham ganho o direito à memória grata dos europeus que habitaram em liberdade a vencedora Meia-Europa democrática, e também igual dignidade teve a intervenção do histórico discurso de Churchill sobre a denúncia da ameaçadora divisão da Europa e o projeto da URSS.

É certo o propagandeado sentido de o governo soviético ter projetado, como pareceu a Garaudy (Le Projet Espérance, 1976), criar consigo as comunidades de "trabalho, de consumo e de cultura", incluindo a Europa ocidental devastada pela guerra, cujo dia da primeira paz foi anunciado pelo jornal Le Combat como "uma alegria coberta de lágrimas".

Nos EUA surgiram dois homens que organizaram a resposta, que foi acidentalmente referida como a imagem do chamado voo dos cisnes brancos, que antes da guerra fortaleceram a resistência aos cisnes negros do nazismo, divididos os cisnes por metade. Foram ambos militares: o general Eisenhower, comandante do exército que veio lutar, morrer e vencer pela Europa livre, e depois foi presidente da República dos EUA, declarando em 1955 que "o facto central da vida de hoje é a existência no mundo de duas filosofias do homem e do governo. Eles estão em luta pela amizade, lealdade e apoio da população mundial"; o outro foi o autor do Plano Marshall, uma intervenção isolada que condenava a divisão da Europa, a que, como era de esperar, a URSS convidada recusou participar.

A evolução da China para a plena soberania, e também a evolução da Rússia com a perestroika, faz crescer a tentativa de aproximar o diálogo dos divergentes conceitos. Correu que Kissinger, um dos conselheiros mais reputados do governo americano, meditava sobre uma eventual tríade, que poderia incluir a China em mudança para articulação ao globalismo, e a Rússia aproximando-se do modelo dos Estados respeitadores do novo direito internacional conseguido com dois imperativos: um "mundo único", isto é, sem guerras, e a terra "casa comum dos homens", ainda trágico.

Não é de estranhar que Donald Trump, insistindo agora, para entendimento do seu povo, que sendo presidente tem autoridade sobre os governos de todos os Estados da União, afirmou-se declarando-se surpreendido pela invasão dos EUA pelo covid-19. Mas logo surpreendente foi decidir impedir a entrada nos EUA, durante um mês, às pessoas originárias do Espaço Schengen, ignorando a prévia atenção dos governos europeus e autoridades da União, provocando os seus habituais efeitos perturbadores, com essa pouco diplomática atitude parecendo decidido a fortalecer um grupo de cisnes negros que responsabilizem a China da qual, segundo ele, a Europa não foi capaz de se proteger. É certo que a reunião do G7 permitiu a provável inutilidade de ouvir.

Talvez o eleitorado a que vai apresentar-se proximamente possa corrigir a sua precária situação com que a crise igualmente atinge o povo americano, porque as intervenções deste presidente lembram palavras de Madeleine Albright: 'À medida que vou envelhecendo, lembro-me cada vez com mais frequência de um bom católico - cujo epitáfio preferido rezava assim: "Deixo o mundo como nele entrei: confuso.'"

Seria útil recordar-lhe os grandes estadistas americanos das guerras, a eficaz solução com que o Conselho de Segurança conseguiu impedir a invasão do canal de Suez por dois titulares de veto, a Inglaterra e a França, lembrando os EUA a sua participação em uma reunião que reconheça que os interesses da humanidade exigem cooperação de todos os membros e não o agravamento do conflito que só prejudicará a união humana até agora demonstrada. A atitude de respeito pela dignidade igual de todos os homens e povos que tem dignificado a generalidade dos especialistas, e posta em evidência as cooperações internacionais, não vai admitir que uma reunião que procura apenas o respeito pela humanidade discuta alguma das contrariedades dos EUA com a China.

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