Exclusivo Qual racismo, coitados é dos caixas de óculos

E andamos nisto: o que é realmente o racismo? O mais importante é o estatuto económico ou a cor da pele? A luta contra as discriminações ditas "identitárias" está a enfraquecer a esquerda? E os caixas de óculos, deus? Tudo o que sirva para não fazer o óbvio: ouvir.

Há muitos anos - 27 -- numa reportagem em Israel, entrevistei o escritor Amos Oz. Foi uma conversa memorável com um homem memorável. Um homem bom, que é um ser muito raro, muito mais raro do que eu pensava à época -- o tempo e o viver não ajudam a ficar com melhor opinião das pessoas.

Dessa conversa retive muitas frases - até porque, claro, as escrevi. Uma delas é sobre saber ouvir - reconhecer a existência e a voz do outro, o sentir do outro. A dor do outro. Disse Oz: é preciso aceitar que o outro é quem diz que é. Mesmo que - e esse era o ponto da frase no contexto da conversa, o do conflito israelo-palestiniano - aquilo que o outro diz que é nos ponha em causa, nos obrigue a reexaminar a nossa ideia de nós e até perder domínio (no caso, materialmente: tratava-se de trocar terra por paz).

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