Exclusivo Às escondidas

São 11 mil registos de empresas, organizações não governamentais e consultoras que estão acreditadas junto às instituições europeias. Para estas trabalham cerca de 80 mil pessoas. Setor financeiro, indústria do petróleo, representantes de movimentos indígenas, ativistas do ambiente ou dos direitos digitais, indústria farmacêutica, indústria automóvel, associações de doentes, indústria do armamento, em suma, imaginem um setor de atividade ou movimento qualquer, é muito provável que esteja nessa lista. Estou a falar de lobby. Ao contrário de outras assembleias, no Parlamento Europeu o lobby não é uma atividade totalmente obscura. Há um registo e quem nela trabalha tem acesso a quase todos os cantos do Parlamento. Quem está acreditado como lobista pode esperar em lugares de passagem, nos bares, ir até à porta dos gabinetes dos deputados que procuram, circular pelos edifícios. A cada dia do Parlamento haverá tantos ou quase tantos lobistas como deputados.

Numa casa onde se decide sobre tantas coisas, onde se negoceiam propostas quase todos os dias, as reuniões com diferentes grupos de interesses são regulares e há legislação onde é por demais evidente a influência do lobby. Há vários anos que vários deputados procuram dar mais garantias aos cidadãos sobre a credibilidade das propostas legislativas. Reduzir a influência do lobby é um dos caminhos, tornar esta atividade mais transparente é uma das ferramentas. Nesta semana foi finalmente votada uma proposta que obriga os deputados que são presidentes das comissões parlamentares ou relatores dos diferentes dossiês, ou seja, responsáveis pela redação de propostas, a publicar todas as reuniões realizadas com grupos de interesses e deixa ao critério dos restantes publicar ou não esse registo. Não é tudo, mas é um passo fundamental para reganhar a credibilidade da atividade política.

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